Emissão Costumes Portugueses de 1941, tendo sido emitidos 3,2 milhões de selos de $05 castanho vermelho, representando a TRICANA DE COIMBRA, em desenho de Raquel Roque Gameiro e gravura de Gustavo de Almeida Araújo
O correr inexorável do tempo de há muito que as fez
desaparecer de Coimbra. Cantada vezes sem conta por poetas e trovadores, a
mulher de Coimbra surge envolta numa lenda que é a da própria cidade e uma
espécie de entidade mÍtica, que a aproxima de Isabel de Aragão e de Inês de
Castro.
Se inicialmente a palavra tricana designava um certo tipo de tecido,
com o correr do tempo passou a designar aquela que o usava. O mantéu dava lugar à mantilha nas mulheres provenientes das classes mais favorecidas. A mantilha, apesar de ter tido diversas variantes regionais, consistia numa
capa ou manto, ligeiramente rodado, que descia até baixo do joelho, podendo ir
mesmo até ao tornozelo.
Para a cabeça utilizava-se a coca, peça de
resguardo que era armada em papelão e que se revestia de formas variadas.
Por
meados do século XIX já não se ouvia falar em mantéus e mantilhas, a moda era
agora o capote e a capoteira que, po sua vez, seriam destronados pelo xaile.
Este era considerado o luxo por excelência da tricana de Coimbra. Os motivos e
os tecidos variavam consoante o poder de compra de quem os usava. Assim, os mais
caros eram os de cachemira e eram importados da Escócia, havia ainda os xailes
de barras e de quadrados. O xaile preto e merino conheceria um destaque especial
no inÍcio do presente século, no derradeiro e requintado trajar da tricana de
Coimbra: sapato preto em camurça, saia quase travada abaixo do joelho, xaile de
merino e lenço a encobrir a cabeça em jeito de touca preso por uma fita de seda
preta que rodeava o pescoço, o vicente.
Muitas destas raparigas eram
das classes mais pobres e custeavam a sua vida como engomadeiras de estudantes e
muitos destes as deixaram lembradas nas suas memórias.
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