Tricanas


Af. 608

Emissão Costumes Portugueses de 1941, tendo sido emitidos 3,2 milhões de selos de $05 castanho vermelho, representando a TRICANA DE COIMBRA, em desenho de Raquel Roque Gameiro e gravura de Gustavo de Almeida Araújo



O correr inexorável do tempo de há muito que as fez desaparecer de Coimbra. Cantada vezes sem conta por poetas e trovadores, a mulher de Coimbra surge envolta numa lenda que é a da própria cidade e uma espécie de entidade mÍtica, que a aproxima de Isabel de Aragão e de Inês de Castro.
Se inicialmente a palavra tricana designava um certo tipo de tecido, com o correr do tempo passou a designar aquela que o usava. O mantéu dava lugar mantilha nas mulheres provenientes das classes mais favorecidas. A mantilha, apesar de ter tido diversas variantes regionais, consistia numa capa ou manto, ligeiramente rodado, que descia até baixo do joelho, podendo ir mesmo até ao tornozelo.
Para a cabeça utilizava-se a coca, peça de resguardo que era armada em papelão e que se revestia de formas variadas.
Por meados do século XIX já não se ouvia falar em mantéus e mantilhas, a moda era agora o capote e a capoteira que, po sua vez, seriam destronados pelo xaile. Este era considerado o luxo por excelência da tricana de Coimbra. Os motivos e os tecidos variavam consoante o poder de compra de quem os usava. Assim, os mais caros eram os de cachemira e eram importados da Escócia, havia ainda os xailes de barras e de quadrados. O xaile preto e merino conheceria um destaque especial no inÍcio do presente século, no derradeiro e requintado trajar da tricana de Coimbra: sapato preto em camurça, saia quase travada abaixo do joelho, xaile de merino e lenço a encobrir a cabeça em jeito de touca preso por uma fita de seda preta que rodeava o pescoço, o vicente.
Muitas destas raparigas eram das classes mais pobres e custeavam a sua vida como engomadeiras de estudantes e muitos destes as deixaram lembradas nas suas memórias.



Tricana (bordado)

Sobre o selo da Tricana:

Emissão: Costumes Portugueses
desenho de Raquel Roque Gameiro
gravura de Gustavo de Almeida Araújo
Tiragem: 3,2 milhões de selos de $05 castanho vermelho
Folhas: 100 selos (10x10)
Papel: liso
Denteado: 11 1/2
Desenho aprovado em abril de 1937, depois de seguida houve um processo conturbado sobre se seria feita a emissão ou não, tendo a gravura ficado pronta a 19/09/1939. Aprovação definitiva pelo Ministério das Obras Públicas e Comunicações a 29/02/1940
Cliché de H. Munhoz
Portaria nº 9756 de 15/03/1941 cria a série
Começou a ser vendida a 04/04/1941
Blocos: 163x146 mm
Circulação até esgotamento, sendo oficialmente retirados a 01/10/1945 (portaria 11036 de 24/07/1945)

fonte: Oliveira Marques, História do Selo postal português, pág. 247 a 252


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Última atualização: 10/06/2013