Tradições Académicas

 

Como sabemos, entende-se por tradições o conjunto de conhecimentos populares, hábitos, usanças e costumes que distinguem determinada comunidade. Esses e outros dados que formam o conjunto são o resultado de longa vivência e um certo gosto por aquilo que se herdou dos antepassados e se transmite, de geração em geração, aos vindouros. Cada um dos períodos de tempo que por eles foram passando proporcionou influências e transformações próprias de uma linha evolutiva sem que se deixem de observar, com nitidez, as raÍzes da cultura desse conjunto. é a este conjunto de informações que se atribui o nome de tradição.

O gosto e o respeito pelas características das vivências de determinado grupo referentes ao seu passado, chegadas à actualidade, fazem com que os seus elementos aceitem e pratiquem as regras antigas, adaptadas às exigências do tempo que se vive. Refiro-me à praxe, à prática da tradição, à "praxis" dos Gregos. Ao que hoje se pratica com maior ou menor liberdade, com maior ou menor consciência, com maior ou menor exactidão, mas que procura manter as raÍzes e as formas do passado caracterizantes de uma sociedade. Será uma actualização dos costumes de antanho da qual hoje se releva e se defende a sua manutenção. Para isso dever-se-á obedecer a certos requisitos afim de que cada um saiba como bem praticar e transmitir aos outros o que se deve fazer hoje para evocar os costumes de épocas passadas.

A praxe é uma prática que procura avivar as tradições, seleccioná-las e dar-lhes um aspecto ajustável aos dias de hoje. Sendo assim, a praxe põe os costumes herdados em moldes aproximados às exigências da vida corrente.
Deste modo, sempre que se procura defender as tradições e a sua prática haverá necessidade de admitir e defender as transformações que o tempo e a sociedade impõem e, como tal, aceitar a existência de evolução e progresso. O não à estagnação é a forma de evitar a morte das tradições e impedir que a praxe seja considerada algo de inaceitável e absurdo.

A vida académica coimbrã, porque depende de uma instituição de setecentos anos de existência, é rica de tradições que, embora sujeitas às tais regras do tempo, conservam o seu sabor centenário. A própria Universidade salvaguarda as que dependem de si, retomando-as com solenidade sempre que, em determinados momentos de crise, são suspensas. Por outro lado, os estudantes também foram sempre zelosos na defesa e divulgação das suas tradições. Essa constante deu origem à Praxe Académica que, até 1957, era consuetudinária, isto é, baseada no costume, transmitido verbalmente de geração para geração.

O código escrito só foi aprovado naquele ano, embora anteriormente tenha havido algumas tentativas nesse sentido. A razão principal para essa resolução foi o aumento considerável de mulheres na Academia. Estas, até então, não eram abrangidas pela Praxe. Não havia ainda o uso do traje feminino, razão por que traziam as insÍgnias mesmo à "futrica" 
Durante muitos anos, desde o século XVIII, servia de base aos costumes académicos o "Palito Métrico" que, escrito em latim bárbaro e livre, se referia a alguns episódios académicos. Este livro escrito pelo estudante António Duarte Ferreira está inserido numa obra denominada "Macarronea Latino-Portugueza" que, além do "Palito", contém outras obras de diversos autores, mas todas escritas em latim macarrónico umas em prosa, outras em verso. O "Palito Métrico", de que há diversas edições, é considerado como o livro venerável da Academia de Coimbra. Não se sabe, com grande rigor, o número de edições publicadas, nem tão pouco o ano da primeira. Admite-se que a de 1765 tenha essa honra, sendo a última a editada em 1942.

A praxe académica coimbrã estipula que todos os documentos referentes à sua actividade terão que ser escritos em latim macarrónico, razão por que os "decretus" emitidos pelo Conselho de Veteranos, assinados pelo "Dux Veteranorum" e por outros membros do Conselho, sejam sempre escritos nesse "tipo" de latim.

As tradições académicas coimbrãs são ricas e de características inconfundíveis.

São vários os autores, no seu período de estudante ou posteriormente que imortalizaram estas tradições. Um dos mais conhecidos foi Trindade Coelho.

 

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Última atualização: 17/10/2015