Regina Quintanilha

 

Regina da Glória Pinto de Magalhães Quintanilha de Sousa e Vasconcelos (1893-1967) foi a primeira mulher a cursar Direito até ao fim na Universidade de Coimbra, juntamente com Maria da Ascensão de Sousa Sampaio, e foi a primeira Advogada Portuguesa e Ibérica da modernidade.

Nasceu a 9 de Maio de 1893, em Miranda do Douro, filha de Francisco António Fernandes Quintanilha e de Josefa Ernestina Pinto de Magalhães.
Regina nasceu e foi educada num meio social elevado. Pelo lado do pai pertencia aos Quintanilhas, antiga e abastada família transmontana. A mãe, a escritora Josefa Quintanilha, nascera Pinto de Magalhães, família que se dizia descendente de um dos mais ilustres transmontanos de sempre, o grande navegador Fernão de Magalhães.
Estudou em Bragança, até aos 16 anos (tendo se notabilizado na música, tendo chegado mais tarde a ser aluna de Viana da Mota). Só nesta altura parte para o Porto, onde termina o secundário, os sexto e sétimo anos de liceu.
Com apenas 17 anos, Regina Quintanilha pede a sua matrícula na Faculdade de Direito de Coimbra, a 6 de Setembro de 1910 e no dia 24 de Outubro atravessa a porta férrea da Universidade.
Terminou o curso em três anos e em 1913, com apenas 20 anos, foi convidada para reitora do recém-criado Liceu Feminino de Coimbra. Recusou, por ambicionar uma carreira que o Código Civil Português de 1867 vedava às mulheres, o exercício da advocacia.
Apesar disto, a 14 de Novembro de 1913, Regina Quintanilha recebe a autorização do Presidente do Supremo Tribunal de Justiça para advogar, sendo esse o dia em que vestiu a toga dos advogados no Tribunal da Boa-Hora, em Lisboa.
Em Portugal, exerceu ainda, mais uma vez sendo a primeira mulher, as funções de Conservadora do Registo Predial e Notaria.
É importante mencionar que nos últimos anos da Monarquia e nos anos da I República não era comum haver senhoras a cursar em Coimbra, mesmo nas classes mais altas, e a exercer uma profissão liberal. Só em 1890 as raparigas são autorizadas a frequentar os liceus públicos e só 16 anos depois é criado o primeiro liceu feminino. Em 1910, a escolaridade obrigatória era dos 7 aos 11 anos. Para as mulheres, estava normalmente destinada uma insturção elementar, não lhes sendo pedido mais do que as funções de mulher e de mãe. As mentalidades da sociedade portuguesa da altura não estavam preparadas para dar lugar às mulheres no exercício de profissões liberais.
Regina Quintanilha parte para o Brasil, onde colabora na reforma da Lei brasileira. Estabelece escritórios no Rio de Janeiro, mais tarde em Nova Iorque.
Anos mais tarde, volta para Portugal, onde é advogada de várias empresas francesas.
Morre em Lisboa, nas sua casa da rua Castilho, nº 35, a 19 de Março de 1967.

Fonte: Wikipedia

 

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Última atualização: 07/10/2012