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Paixão por moedas antigas reuniu-se em Coimbra

O Centro Cultural Dom Dinis acolheu o 1.º Encontro Nacional do Fórum Numismática, que trouxe a Coimbra mais de meia centena de apaixonados pelas moedas e pelas notas, vindos de todo o país.

Mais de 1.500 homens e mulheres, de Norte a Sul do país, têm um hábito cibernético que os une: a ligação regular a um sítio da Internet em que, com um login, em regra já memorizado no computador pessoal, e com um nickname que os identifica perante os pares, navegam sem dar conta das horas. São os foristas do Fórum Numismática, que há dois anos e meio trocam mensagens, compram e vendem preciosidades ou, simplesmente, necessidades das suas colecções, mas só agora trataram de promover uma jornada nacional de convívio... em "carne e osso".
Assim, o 1.º Encontro Nacional do Fórum Numismática trouxe, até à cidade de Coimbra, mais concretamente ao Centro Cultural Dom Dinis, mais de meia centena de participantes, vindos dos quatro cantos do país. As boas-vindas foram dadas por Leonel Brás, um informático com queda para a música que, em Coimbra, organizou a reunião e preparou tudo a preceito. A ele competiu, aliás, fazer as primeiras apresentações entre pessoas com quem se haviam trocado mensagens, mas sem o contacto de um aperto de mãos que selasse a amizade que entre todos já nascera.
Cabe dizer que todos vieram com naturais expectativas, com o espírito de confraternização bem presente, mas nenhum deixou que a sua grande paixão ficasse de lado. Por isso, rapidamente após o "check in" informal, mas importante, pois a grande maioria nunca se tinha conhecido, pessoalmente , iniciou-se o que pode considerar-se uma espécie de feira/mostra. Em mesas transformadas em bancas, munidos de sofisticados e precisos aparelhos, nomeadamente lentes, e apoiados por informação detalhada e sistematizada em computadores portáteis ou em literatura especializada , depressa se iniciou um período de compra, venda, troca, ou simples mostra de peças.
Desta forma, expuseram-se moedas e fizeram-se negócios, à vista ou aprazados para datas posteriores.
Claro está que, num encontro em que muitos dos maiores experts do país marcaram presença não podia faltar a troca de opiniões, o debate sobre esta ou aquela tese ou dúvida, ou ainda sobre as preferências numismáticas de cada um. Foi o que sucedeu, de resto prolongando-se almoço dentro. Para alguns, porém, o repasto serviu também para descomprimir e contar uma e outra história. O destaque, bem notório nas sonoras gargalhadas que foi arrancando aos seus parceiros de mesa, foi para um dos foristas mais empenhados, Pizarro Bravo de seu nome, que veio de Chaves e haveria, mesmo, de ter uma intervenção mais estruturada, após a refeição (ver à parte).
Com razoável atraso, então, decorreu outro momento esperado do encontro: a apresentação do software de catalogação de Ceitis moeda antiga portuguesa que tem imensos coleccionadores no país (ver ao lado). Finalmente, o encontro concluiu-se com um concorrido leilão, animado por Alberto Praça, que o tinha cuidadosamente preparado, através da edição de uma pequena brochura, policopiada, em que os "vendedores" fizeram imprimir imagens das moedas a leiloar e respectiva "ficha técnica" e preço-base para licitação.

Um achado numismático em trás-os-montes que enriqueceu o alentejo

A intervenção de fundo do encontro de Coimbra foi feita por Pizarro Bravo, que desenvolveu o tema: "Uma história onde as moedas transmontanas são protagonistas". O coleccionador flaviense abordou achados de moedas romanas, na região de onde é natural, na raia de Espanha, e centrou-se num achado particular, feito por um lavrador, em 1721, no lugar de Lagares, junto da povoação de Outeiro Seco, de «grandíssima cópia de moedas romanas de diversos imperadores» episódio que conta num livro, de sua autoria, edição da Câmara de Chaves.
Ora, aquando da saída do livro, que trata de moedas antigas da região, alguém lhe perguntou se o dito achado ali era referido. E porquê? Porque, um estudo de genealogia, da autoria de João Afonso Machado, refere que no dia 8 de Outubro de 1721, um lavrador de Outeiro Seco, António Fernandes Queirós, casa, em Estremoz, com Cecília Maria, que dão origem à família Queirós, de Estremoz e Borba, e deixa a seu filho João António Queirós, uma grande fortuna razão. Por isso, aliás, este ficou conhecido pelo "Moedas" ou João António "Moedas" e a sua riqueza era tanta "que a mediam em arráteis de moedas», dizia-se.
Pizarro Bravo relaciona, então estes dois factos: o achado de moedas de um lavrador de Outeiro Seco, Chaves, em 1721, e o casamento de um lavrador de Outeiro Seco, em Outubro, desse mesmo ano, em Estremoz, «quando seria mais difícil essa deslocação, naquele distante ano de 1721, do que fazer hoje a volta ao mundo» e que esse mesmo lavrador fosse possuidor de uma fortuna em moedas. E conclui que quem teria recolhido o tesouro, em Outeiro Seco, teria sido o António Queirós que, «para se esquivar a maledicências, "atropelos fiscais" e o que mais o importunasse, migrou para o Alentejo, onde garantiu para si e seus descendentes, o estatuto de ricos".

in As Beiras, 2007/12/03
http://www.asbeiras.pt/?area=coimbra&numero=52776&ed=03122007

 

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Cortes de Coimbra - 1985


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Última atualização: 18/05/2009