Martins Sarmento

Data:27-09-1998

CTT ignoram Martins Sarmento

Centenário do pioneiro da arqueologia portuguesa posto de parte "por razões de credibilidade institucional"

Armindo Cachada

A Administração Geral dos CTT -Correios de Portugal respondeu negativamente a uma solicitação formulada há dois anos pela Sociedade Martins Sarmento (SMS), no sentido de assinalar, através da emissão de um selo postal comemorativo, o Centenário da Morte de Francisco Martins Sarmento, um dos mais notáveis intelectuais portugueses da segunda metade do séc. XIX, falecido a 9 de Agosto de 1899. O Director dos Serviços de Filatelia fundamentou a sua recusa no «reduzido número de série de selos que, por razões de credibilidade institucional e necessidade postal» os CTT podem lançar em cada ano.

Selecção "rigorosa"?
A Direcção da SMS reagiu, de forma indignada, a esta posição e considerou estranhos os critérios que permitem escolher, em selecção "rigorosa", cinco médicos, todos de Lisboa, para esta emissão, recusando-se a estabelecer comparações entre Sarmento e as personalidades escolhidas pelos CTT, «até porque são incomparáveis», segundo afirmou Santos Simões, presidente da instituição.
«Para quem vive em Guimarães, ou seja, a 350 quilómetros de Lisboa _ adiantou o presidente da SMS na carta enviada ao Director dos Serviços de Filatelia _ já nada devia surpreender, nem sequer a teimosia em pretender ignorar um dos vultos maiores da cultura portuguesa, dos primeiros a mais genuinamente se preocupar em investigar as nossas origens sociais e culturais, pioneiro da investigação arqueológica no nosso paÍs».
Martins Sarmento não só custeou todas as despesas das investigações e viagens que realizou, como à sua custa instalou o Museu que tem o seu nome e doou em testamento à SMS todos os seus bens com o objectivo de os seus trabalhos poderem ser continuados e disponibilizados a investigadores e a quantos visitassem a instituição.
Para Santos Simões, este é um exemplo raro de integridade e saber, que a comunidade cientÍfica nacional e internacional, bem como os seus concidadãos, souberam reconhecer, honrando-o ainda em vida. Sarmento recebeu diferentes distinções, em especial do Governo Português, do Instituto de Coimbra, da Academia Real das Ciências do Instituto Arqueológico de Berlim, da Academia de Arqueologia da Bélgica, da Real Academia de História de Madrid e ainda as medalhas de bronze e prata da Real Associação dos Arqueólogos Portugueses, tendo ainda sido nomeado «Cavaleiro da Legião de Honra» pelo Governo Francês.
Mostrando um total alheamento do que se passava na área cultural, que fez lançar sobre a investigação arqueológica portuguesa os olhares da comunidade cientÍfica internacional, o poder polÍtico de então respondeu através do ministro «duque d'Avila e Bolama», não lhe reconhecendo «méritos relevantes para comendador».

O"duque d'ávila"
Em carta dirigida ao director dos Serviços de Filatelia, Santos Simões compara a actual posição d....... (ver http://jn.pt/arquivo/noticia.asp?id=24364 - Jornal de NotÍcias)

 


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