Mala-Posta de Lisboa a Coimbra, 1798. (Reconstituição a óleo por José Pedro Roque, 1968).
O Estado em 1797, extingue o serviço de Correios-Mores (serviço particular) e chama para si a responsabilidade e monopólio das comunicações postais, publicando em 1798 um documento criando um serviço de diligências entre Lisboa e Coimbra, conhecidas como mala-postas.
Em 6 de Setembro de 1798 foi criada a diligência entre Lisboa e Coimbra, com posterior prolongamento do Porto, que transportaria a mala de correio para o Norte. No ano de 1818 foi criada uma «Tabela dos dias da partida e chegada dos Correios» a Lisboa, tendo mesmo sido elaborado um mapa dos giros entre as 125 localidades abrangidas, as quais tinham correio semanal, durante uma, duas ou três vezes. De Lisboa, o correio partia às segundas, quartas e sábados, às 18 horas, em dois grupos distintos, dirigindo-se um para Norte e outro para Sul. Do grupo que seguia para o Porto, por Leiria e Coimbra, havia ligações ao interior do País, nomeadamente a Castelo Branco, que distribuÍa o correio às zonas mais ou menos próximas a norte do Rio Tejo; de Coimbra, partia uma ligação a Viseu que abrangia não só esta região como também se estendia à Beira, e a partir da cidade do Porto o correio era distribuÍdo pelas provÍncias de Entre Douro e Minho e Trás-os-Montes.
in A distribuição do correio, Francisco Matoso Galveias
O 1º serviço de Mala-Posta funcionou de Lisboa a Coimbra, de 1798 a 1804. O 3º período da Mala-Posta, ia de Lisboa ao Porto decorreu de 1855 a 1864.

Percurso da Malaposta Lisboa - Coimbra
Tabelas das horas de partidas e chegadas das carruagens da mala-postas entre Carregado e Coimbra . Fonte: FPC
Tabela de preços do serviço da mala-posta entre o Carregado e Coimbra. Fonte: FPC
Foi José Mascarenhas Neto, ao ser nomeado para o cargo de Superintendente Geral dos Correios e Postas do Reino, que instituiu o serviço da Mala-Posta. São de sua autoria o «Methodo para construir as Estradas de Portugal» e as «Instruções para o estabelecimento das Diligências entre Lisboa e Coimbra». Este regulamento estabelecia, além das normas de conduta que envolviam pessoal e passageiros, os percursos, as paragens e respectivos horários, nas «Estalagens» e «Casas de Posta», que deveriam ser assinaladas com as Armas Reais.
Em 1859, a ligação entre Lisboa e Porto através das carreiras da Mala-Posta fazia-se em 34 horas e passava por 23 estações de muda, incluindo Coimbra.
in Viagem em Portugal, 1798-1802, Carl Israel Ruders, Biblioteca Nacional, 2002
viagem de Lisboa-Porto fazia-se em 34 horas, incluindo o tempo gasto nas 4 refeições que os passageiros tomavam pelo caminho - ceia nas Caldas da Rainha, almoço em Leiria, jantar em Coimbra e ceia em OL.dos Azemeis.
No início do século XIX já era entregue correio em todas as capitais de distrito de Portugal. As viagens demoravam:
Lisboa a Coimbra - 1 dia e 23 horas
Lisboa a Faro - 2 dias e 3 horas
Lisboa ao Porto - 3 dias
Lisboa a Bragança - 4 dias e 2 horas À chegada da mala-posta com o
correio, era afixada uma lista dos destinatários das cartas ou
encomendas postais.
A partir de 1805, é aos correios que se deve o início da afixação de
nomes nas ruas e de números nas portas das casas. No início deste
século XIX, inicia-se a distribuição domiciliária de correio em Lisboa
e arredores, pelos “Carteiros”.Em 1821 foram implantados os primeiros
marcos de correio na via pública.Em 1853 apareceu o primeiro selo de
correio, no valor de 5 Reis.
Foi com Fontes Pereira de Melo que se efectuou uma grande reforma no serviço dos correios.
Fonte: http://vilarelhos.blogspot.pt/2011/07/mala-posta.html
Malaposta Carqueijo (Mealhada):
O edifício da mala-posta de Carqueijo tem por modelo a estação de
casal dos Carreiros, o primeiro imóvel expressamente concebido para o
efeito e que foi objecto de um plano cuidadosamente concebido. As
tentativas para criar um serviço de ligação diária entre Lisboa e o
Porto por diligências tiveram início em 1852, mas as dificuldades então
sentidas, fruto de algumas dificuldades (principalmente ao nível das
estradas) e desarticulação, só puderam ser superadas graças a Fontes
Pereira de Melo que, depois de assumir o cargo de Ministro das Obras
Públicas, em 1852, estabeleceu um amplo plano de trabalhos com o
objectivo de implementar definitivamente este serviço. O primeiro
trajecto ligava apenas o Carregado (onde as pessoas chegavam de vapor)
a Coimbra e demorava 23 horas. Só com a conclusão da estrada até Vila
Nova de Gaia foi possível prolongar o percurso, o que ocorreu entre
1957 e 1959, passando então a viagem a demorar 34 horas.
Neste longo trajecto, era necessário haver um conjunto de estações onde
fosse possível trocar de cavalos: tendo sido construídas para o mesmo
efeito e num período relativamente curto, todas elas revelam uma enorme
unidade arquitectónica, pautando-se por uma grande depuração e
funcionalidade. A de Carqueijo insere-se já nesta segunda fase do
percurso, constituindo a 15ª estação onde apenas se mudavam os cavalos
(FERREIRA, 1946, pp. 192-193).
Tal como as restantes, também o edifício de Carqueijo desenha uma
planta em U, em que os corpos mais alongados correspondiam a cozinhas e
ao quarto do feitor, à esquerda, reservando-se a ala direita ao
palheiro e ao armazenamento de arreios. A zona mais comprida
destinava-se às cavalariças. Os alçados são marcados pelos habituais
vãos de verga em arco de volta perfeita. Todavia, as mansardas que
surgem nos alçados laterais constituem uma marca de distinção em
relação às suas congéneres.
(Rosário Carvalho)
Fonte: http://www.igespar.pt/pt/patrimonio/pesquisa/geral/patrimonioimovel/detail/72397/
Catálogo da exposição: A Mala-posta 200 anos do final do 1º período - Lisboa-Coimbra 1798/1804, FPC, Lisboa




Selo personalizado editado pelos CTT em 2016, no âmbito dos 30 anos da
revista Clube do Coleccionador.Representa uma capa da revista Clube do
Colecionador, no número alusivo aos 200 anos da mala-posta regular
Lisboa-Coimbra

BPM série Mala-Posta 12/81 - Cocheiro da Mala-Posta Lisboa-Coimbra,
1798. Aguarela de Alberto Souza, 1945. Ed. Museu dos CTT, 1981
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