Luís Inocêncio Ramos Pereira


cc 18-09-1970 Luis Inocêncio Ramos Pereira - médico, senador, filantropo Vila Praia de Âncora A421

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Nasceu no Porto a 18 de Setembro de 1870 e faleceu em Lisboa a 22 de Julho de 1938.

Membro do PRP formou-se na Escola Médico-Cirúrgica do Porto, em 1897. Foi médico municipal em Coimbra e inspector da Procuradoria de Lisboa. Desempenhou também o cargo de provedor da Assistência de Lisboa de forma interina (28 de Janeiro a 6 de Setembro de 1913), para além de deputado à Assembleia Nacional Constituinte e ao Congresso da República (1911-1915) e senador ao Congresso da República (1915-1917; 1919-1921; 1921-1922; 1922-1925; 1925-1926). Localmente, foi presidente da Comissão Municipal de Caminha em 1890, tendo desempenhado igualmente funções de administrador de nomeação do Governo junto da Companhia do Niassa a partir de Novembro de 1910.

Fonte: http://hm.centenariorepublica.pt/biografias/275-luis-inocencio-ramos-pereira.html

 

 

 

Luís Inocêncio Ramos Pereira nasceu no Porto a 18 de Setembro de 1870 e formou-se em medicina e cirurgia na escola Médico-Cirurgica do Porto em 1897 com a tese “a cocaína na cirurgia”, mas tinha as suas raízes em Riba d`Âncora, terra natal de seu pai José Bento Ramos Pereira, comendador e benemérito, que fez fortuna no Brasil. Do casamento de José Bento com Maria Gertrudes da Silva Pereira nasceram, alem de Luís Inocêncio, mais sete filhos. Desde muito novo que o Dr. Luís Ramos Pereira se apaixonou pelo ambiente marinho, pela náutica e pelos homens que dia a dia tiravam o sustento do mar, muitas vezes à custa da própria vida. Casou jovem, ainda estudante com D. Cecília e deste casamento nasceram cinco filhos: a Maria Amália, o Jorge, o Guilherme, a Irene e a Dulce.

 

Militante do Partido Republicano Português, era Presidente da Comissão Municipal de Caminha deste partido desde a época do Ultimato britânico em 1890. Até à implantação da república o Dr. Luís Ramos Pereira viveu na região, deslocava-se no seu cavalo “o Peralta” e tinha avenças, quer dizer que as famílias pagavam-lhe uma importância determinada e em contrapartida tinham cuidados médicos todo o ano.A sua ida para Lisboa no início de 1911 teve a ver com a eleição de senador pelo circulo de Viana do Castelo, passando a também a exercer as funções de médico dos Caminhos de Ferro do Sul e Sudeste e, a partir de Novembro de 1910 exercer as funções de administrador, por parte do governo, junto da Companhia do Niassa. Mesmo com todos estes afazeres políticos e profissionais, continuava a visitar com frequência Gontinhães, aproveitando o facto de nada pagar na viagem de comboio. Luís Ramos Pereira republicano, agnóstico e democrata convicto, exerceu o cargo de senador para o qual foi sucessivamente eleito até ao 28 de Maio de 1926, excepto durante o advento de Sidónio Pais. Apesar de ser agnóstico mantinha relações de amizade com vários clérigos e tinha uma posição de total tolerância perante os credos religiosos. Foi durante breve período de tempo, médico municipal em Coimbra, em Paredes de Coura (1903-1904) e inspector da Procuradoria Central de Lisboa.

 

Em 1918 com o surto da gripe pneumónica o Dr. Luís ao saber que a epidemia alastrava perigosamente no Vale do Âncora, abandonou Lisboa, hospedou-se na casa do Ramos dentista e durante meses, voluntariamente e à sua custa, prestou a assistência possível aos doentes que diariamente eram infectados com tão gravosa doença e que tantas mortes causou. Alem dos doentes da zona teve ainda que socorrer outros que ficaram sem assistência devido aos médicos que os tratavam terem contraído, também eles, a pneumónica. Foi o caso das freguesias de Afife, Carreço, Moledo e até Caminha, às quais ele ia de bicicleta ou de comboio, sem horas para comer ou para regressar. São conhecidas histórias deste abnegado médico nas quais ele ao entrar em casa de algum doente, pede um copo de leite e um pouco de pão para lhe aliviar a fome e lhe dar forças para mais algumas visitas. Durante a pneumónica um dos tratamentos que prescrevia com frequência, quando haviam febres altas, consistia em embrulhar o doente numa manta encharcada de água fria, para de seguida o abafar em cobertores até suar. Fosse do tratamento, fosse do ânimo que incutia aos doentes, fosse dos remédios que oferecia aqueles que nem dinheiro tinham para o pão, o certo é que muita gente lhe ficou a dever a vida, apesar das inúmeras mortes que a pneumónica causou nesta região. Enquanto senador da República teve sempre um papel de influência junto das instâncias governamentais e foi graças a ele e a perseverança de mais alguns ancorense como o Dr. Laureano Brito e Pinheiro de Azevedo que se conseguiu financiamento para construir a avenida marginal que mais tarde teria o seu nome. Mas outras obras e melhoramentos foram conseguidos com a sua influência junto do governo da república como a abertura da delegação marítima, o salva vidas e o serviço de socorros a náufragos, o posto da GNR e a elevação de Gontinhães a vila. Não foi só para o Vale do Âncora que ele conseguiu influenciar as vontades políticas de Lisboa. Conseguiu importantes financiamentos para o Hospital da Misericórdia e para a Congregação da Caridade de Viana entre muitas outras iniciativas, sendo distinguido como benemérito destas instituições e figurando nas respectivas galerias de honra ao lado nomes como Rocha Paris, Manuel e José Espregueira ou Ernesto Júlio Goes Pinto. Foi sócio (nº 1) fundador do Clube Afifense, percursor do actual Casino Afifense e médico desta associação até se radicar em Lisboa (1911) onde também exerceu de forma gratuita e por comissão, o cargo de Provedor da Assistência de Lisboa. Tal como o seu pai, também o Dr. Luís Ramos Pereira foi agraciado com a Comenda da Ordem de Cristo.

 

Faleceu em Lisboa a 24 de Julho de 1938 e foi sepultado por sua expressa vontade em Vila Praia de Âncora. O féretro viajou para norte de comboio e foi testemunha de grandes manifestações de pesar, ao passar nas freguesias de Carreço e Afife. Em Vila Praia de Âncora as bandeiras baixaram a meia haste e os candeeiros de iluminação pública foram decorados com crepes negros, sendo a urna transportada em ombros por muitos daqueles que ele tinha tratado e ajudado em vida. No cemitério local, a lápide tumular do seu jazigo de família, diz apenas, “Ramos Pereira entre amigos”.

fonte:http://vilapraiadeancora.blogs.sapo.pt/20871.html


 

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Última atualização: 27/04/2016