José Estevão

José Estêvão Coelho de Magalhães (Aveiro, 26 de Dezembro de 1809 — Lisboa, 4 de Novembro de 1862), mais conhecido por José Estêvão, foi um notável jornalista, político e orador parlamentar português, sendo durante o período de 1836 a 1862 a figura dominante da oposição de esquerda na Câmara dos Deputados. Era bacharel formado em Direito pela Universidade de Coimbra, veterano das guerras liberais e um dos académicos que viveu o exílio em Inglaterra e na ilha Terceira e participou no desembarque do Mindelo. Em 1841 fundou a Revolução de Setembro, o mais influente jornal da imprensa liberal. Sempre mais radical que as soluções preconizadas pelos partidos políticos da época, foi por várias vezes obrigado a procurar refúgio fora do país devido à sua frontalidade na oposição. Participou activamente na Patuleia, integrando o exército rebelde que operava no Alentejo.
osé Estêvão nasceu na freguesia da Senhora da Apresentação (incorporada na de Vera Cruz desde 1835), de Aveiro, a 26 de Dezembro de 1809, filho do médico e político liberal Luís Cipriano Coelho de Magalhães e de sua mulher, Clara Miquelina de Azevedo Leitão, oriunda de uma família de considerados negociantes aveirenses. Quando José Estêvão tinha apenas um ano de idade, em 1810, os exércitos de Napoleão Bonaparte ocuparam Aveiro e o pai foi obrigado a abandonar a cidade, deixando a família entregue aos cuidados da avó materna. José Estêvão permaneceu entregue aos avós até 1821, ano em que passou a residir com seu pai. Pouco depois, em Junho de 1822, a mãe faleceu.
Após cursar estudos preparatórios com diversos reputados professores aveirenses, e depois de ter sido incentivado por seu pai a abandonar a intenção de seguir uma carreira eclesiástica, José Estêvão matriculou-se em Outubro de 1825 no 1.º ano de Direito da Universidade de Coimbra.
Em Coimbra envolveu-se profundamente nos clubes políticos que se formavam no meio académico, reflexo da grande agitação que perpassava Portugal face à instabilidade social e política que se vivia, cedo se destacando pela sua eloquência e activismo em prol do movimento liberal. Por esta altura estreou-se na imprensa.
Logo em Dezembro de 1826, aquando da revolta absolutista liderada pelo general Manuel da Silveira Pinto da Fonseca Teixeira, 1.º marquês de Chaves, integrou o Batalhão Académico de 1826 que os estudantes de Coimbra então formaram para ir em defesa do regime liberal.
No mês de Maio de 1828, quando na sequência da Belfastada os liberais se levantaram contra o governo de D. Miguel I, o então jovem estudante José Estêvão voltou a alistar-se no novo Batalhão Académico que os estudantes de Coimbra então formaram, com o posto de cabo.
Em Outubro de 1834 matriculou-se no 3.º ano da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, uma vez que pelo decreto de 8 de Março de 1833, que deu perdão do acto aos académicos que tinham militado no exército liberal, tinha sido dispensado do exame do 2.º ano.
José Estêvão casou na freguesia da Sé do Porto a 7 de Junho de 1858 com Rita de Moura de Miranda, terceira de cinco filhas do notável médico Custódio Luís de Miranda (Porto, Vitória - Porto, 24 de Fevereiro de 1848) e de Margarida de Cortona Ferreira Borges de Moura, do Porto, sobrinha materna de José Ferreira Borges. Esta senhora era natural do Porto, onde nasceu a 19 de Outubro de 1822 e onde também faleceu em Cedofeita a 2 de Outubro de 1904.
No ano seguinte, a 13 de Setembro de 1859 nasceu-lhes o primeiro filho ao qual puseram o nome de Luís Cipriano, e que veio a ser homem notável, conhecido por Luís de Magalhães, deputado e ministro. Em Outubro de 1860 nasceu em Aveiro a sua filha Joana Inês, que viria a morrer em Abril do ano seguinte também em Aveiro. Quando faleceu, a esposa estava grávida, tendo dado à luz um filho, nascido em Lisboa a 2 de Janeiro de 1863 e depois baptizado com o mesmo nome do pai, o qual faleceu na Quinta do Mosteiro, em Moreira da Maia, a 9 de Janeiro de 1889.
À data do seu casamento José Estêvão já tinha um filho, de nome Mateus Luís, que lhe nascera em Coimbra, no ano de 1837, fruto de amores de estudante com uma mulher desconhecida mas que teve também uma filha natural de Francisco de Lemos Ramalho Pereira de Azeredo Coutinho, miguelista e 1.º Conde de Condeixa. Veio a falecer em Porto Alegre a 2 de Janeiro de 1895, onde viveu e casara a 21 de Dezembro de 1883 com Maria da Conceição de Oliveira, e onde tiveram as suas três filhas, Ana em 1884, Maria em 1887 e Luísa em 1889.
Faleceu em Lisboa, de morte súbita, a 4 de Novembro de 1862, deixando a esposa grávida de um filho que viria a ter o mesmo nome do pai. A sua morte foi muito sentida, particularmente em Aveiro, cidade onde gozava de enorme prestígio.

Adaptado da Wikipedia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Est%C3%AAv%C3%A3o_Coelho_de_Magalh%C3%A3es


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Última atualização: 10/08/2012