Jardim Botânico


Emissão: Jardins de Portugal, 2014

 

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Postal máximo do monumento de Avelar Brotero em Coimbra, com selo de $50 comemorativo do 2.º Centenário do Nascimento de Félix Avelar Brotero CE641, obliterado com carimbo de Coimbra (08.12.44).

 

O Jardim Botânico da Universidade de Coimbra, criado em 1772 no âmbito do Museu de História Natural instituído pelo Marquês de Pombal na Universidade de Coimbra, surge no prosseguimento da reforma pombalina dos estudos universitários. Anteriormente, porém, já tinha sido pensado estabelecer em Coimbra um Jardim Botânico. O primeiro projecto foi elaborado por Jacob de Castro Sarmento, em 1731, e baseava-se no pequeno Jardim do Chelsea Physic Garden, em Londres. 
Em 1772, o local escolhido pelo Reitor da Universidade de Coimbra (Francisco de Lemos) para o então chamado "Horto Botânico" compreendia parte da quinta pertencente ao Colégio de S. Bento. O Marquês designou, em 1773, o coronel engenheiro William Elsden para preparar o projecto final, juntamente com o reitor e os professores italianos de História Natural, Domingos Vandelli e Dalla Bella. O projecto de Castro Sarmento foi considerado muito modesto por aqueles professores que decidiram ampliá-lo, mas de tal modo o tornaram grandioso e dispendioso que o Marquês o rejeitou. Deste modo, os trabalhos tiveram inÍcio por volta de 1774, respeitando projectos mais modestos. Vieram, então, plantas do Jardim do Palácio da Ajuda, em Lisboa, por mar e ao longo do rio Mondego, ao cuidado de João Rodrigues Vilar que veio a ser o primeiro jardineiro do novo estabelecimento. De início, a orientação botânica do jardim foi da responsabilidade de Domingos Vandelli, função assumida, a partir de 1791, por Félix Avelar Brotero, professor de Botânica e Agricultura. Este ilustre botânico ampliou o Jardim, providenciando para a aquisição de mais algum terreno da quinta dos Padres Marianos (1809). De 1814 a 1821 fizeram-se as terraplanagens entre a rua central e a superior, bem como o muro e o respectivo gradeamento, feito com ferro proveniente de Estocolmo, expressamente para esse efeito. Em 1882 foi construído o portão do lado Sul ("Entrada das Ursulinas"), junto ao Seminário. O portão principal (Fig. 9) concluiu-se em 1884, segundo desenho que se encontra arquivado no Museu Machado de Castro. Entre 1854 e 1867 foram acrescentados os lanços de escadas do lado sul e as pilastras e grades de todos os terraços do Jardim. Finalmente, no mesmo período, o Jardim foi ainda enriquecido com a instalação da Estufa Grande que, segundo projecto do engenheiro Pezarat, foi construÍda no Instituto Industrial de Lisboa e na Fundição de Massarelos do Porto. 
A primeira parte do Jardim a ser construÍda foi o "Quadrado Central", em finais do séc. XVIII. Desde então foi sofrendo ampliações e melhoramentos, sendo os últimos trabalhos de remodelação significativos já realizados no tempo do Prof. Abílio Fernandes. Ilustre cientista e Professor foi Director do Jardim Botânico desde 1942 até 1974 e responsável pelo incremento das explorações botânicas em Portugal, nomeadamente de plantas vasculares. Presentemente estão em curso obras de conservação e restauro nas cantarias, estatuária, estufas e instalações de apoio. 
A área actual do Jardim é de 13,5 ha . Foi artisticamente delineado à moda italiana, pelo que, além de integrar diferentes nÍveis, escadarias e avenidas, é parcialmente cercado por um magnÍfico gradeamento de ferro e bronze, onde se abrem cinco portões (obras primas de serralharia), com a seguinte localização: o principal, a Este, dá para a Alameda Júlio Henriques; os do Norte e Sul dão acesso, respectivamente, às Ruas Martim de Freitas e Vandelli; o do Noroeste abre para a Rua do Arco da Traição e do Sudoeste para a Rua da Alegria, não longe do Parque Manuel Braga. 
O Jardim compreende duas zonas principais: uma mais elevada, talhada em socalcos e ajardinada que se localiza no topo de uma pequena colina; a outra, estendendo-se em declive até ao sopé desta elevação, constitui o que vulgarmente se denomina como "Mata". A primeira, de concepção mais formal, distribui-se por seis terraços: o inferior, denominado Quadrado Central e cujo traçado evoca os jardins do séc. XVIII, é contornado por um muro de motivos sóbrios e de arquitectura neo-clássica; separa-o da Mata um muro rasgado por uma porta central e por janelas, encimadas, aquela e duas destas, de altos remates mais austeros; ao centro de cada uma das três faces restantes podem ver-se portões que dão serventia ao terraço central por escadarias duplas. O portal principal é o mais rico, data de 1791 e foi dedicado a D. Maria I. A vedação da parte superior do Jardim, nomeadamente ao longo da Avenida Júlio Henriques, (a leste) sobressai pela sua imponência. Aí se localiza o magnÍfico portão principal da autoria de Mestre Galinha (1884), envolvido por colunas encimadas com arcadas e pináculos num estilo barroco muito decorativo. Precisamente em frente deste portão ergue-se a estátua de Brotero, esculpida por Soares dos Reis em 1887. Outros ilustres botânicos são homenageados e perpetuados no Jardim através das respectivas estátuas ou outras peças escultóricas. é o caso da estátua de Júlio Henriques no primeiro terraço, esculpida por Barata Feio em 1951, e um baixo relevo dedicado a Luís Carrisso da autoria de José dos Santos (1948). Outros melhoramentos foram levados a cabo na mesma altura pela Comissão de Obras da Cidade Universitária, sob a direcção do Prof. Dr. Abílio Fernandes, nomeadamente a construção do Fontenário, no Quadrado Central, e da Estufa Fria, num nível inferior, junto à Mata. Esta estufa dá guarida a um nú feminino da autoria do escultor Martins Correia (1950) que representa, simbolicamente, a Botânica. A nordeste, melhor exposto ao sol, pode ver-se um recanto luxuriante com vegetação tropical e subtropical (Fig. 11), incluindo fetos arbóreos, cicadáceas, palmeiras, bananeiras e Strelitzia nicolai. No lado oposto, sobressai um amplo arruamento ladeado de magníficos exemplares de Tilia x vulgaris que, em conformidade, é conhecido pelo nome de Alameda das Tílias. Ainda hoje é possível observar, no Quadrado Central, algumas árvores que remontam à data da fundação do Jardim e ao tempo de Brotero (1791-1811) Cunninghamia sinensis, Cryptomeria japonica e Erythrina crista-galli. Nos outros terraços localizam-se as "Escolas", onde se cultivam plantas agrupadas sistematicamente, as quais, além de constituirem material de estudo para os alunos, fornecem as sementes que, após tratamento adequado, passam a integrar as colecções de permuta, actividade que o Jardim mantém com numerosas instituições congéneres. Nesse terraço é também de salientar a existência de várias estufas. Assim a Estufa Grande, próxima do portão da Alameda (Arcos do Jardim), permite o desenvolvimento de plantas tropicais e subtropicais em diferentes condições de temperatura e humidade, de acordo com as suas exigências naturais; a Estufa Pequena, com um lago artificial, proporciona condições para o cultivo da Victoria amazonica, uma das plantas mais admiradas do Jardim; a Estufa Fria, adjacente ao Quadrado Central, num socalco inferior e próximo do Portão da Mata (Fig. 12), constitui um local privilegiado para a cultura de plantas de sombra de climas temperados; finalmente a "Estufa das Reproduções" e estufins especialmente destinados à reprodução e multiplicação de plantas para estudo e/ou repovoamento do Jardim. A segunda parte do Jardim Botânico, incluindo o vale onde corria um pequeno regato, constitui o Arboretum, vulgarmente conhecido por Mata. Da época dos frades aí se conserva a "Capela de S. Bento", uma casa de fresco com aproveitamento duma fonte, que acabou por se transformar em oratório, como era natural num colégio conventual. Datando do séc. XVII, apresenta-se de forma quadrada, coberta por uma cúpula, e separada das terras envolventes por uma escada. Nas paredes interiores, para além de bancos suportados por mísulas de fino recorte sobressai um lambril de azulejos do séc. XVII, com motivos variados e fabricados em Coimbra. Ao fundo da mesma Mata, encontra-se uma mina de água que proporcionou um arranjo arquitectónico, integrando um nicho ladeado por um banco cujo encosto é também forrado com azulejos do séc. XVII. 
Numa encosta, junto à parte superior da Mata, encontra-se a Escola das Monocotiledóneas, essencialmente constituída por espécies bolbosas, plantadas em pequenas caldeiras. Adjacente a esta vegetação deparamo-nos com um esplendoroso bambuzal, onde predomina o bambú de grande porte, Phyllostachys bambusoides. Na Mata pode observar-se, uma vegetação densa cuja parte arbórea é predominantemente exótica. Efectivamente, o extraordinário microclima estabelecido nesta parte do Jardim possibilita o crescimento, lado a lado, de árvores originárias de áreas fitogeográficas muito diferentes. Entre as colecções vivas que tornam o Jardim internacionalmente reconhecido é de salientar uma das mais completas colecções de Eucalyptus, com cerca de 51 espécies diferentes. Esta colecção rivaliza com as melhores existentes nos Jardins Botânicos Europeus e é o resultado das inúmeras sementes permutadas com o Jardim Botânico de Melbourne (Austrália) durante a direcção do Prof. Júlio Henriques. 

 

PM Brotero
Avelar Brotero - Postal máximo com o monumento a Brotero em Coimbra, com selo de 1$00 do Bicentenário de Avelar Brotero, obliterados com carimbo de Coimbra (25.11.1944)


CC: 11/12/78 Odivelas


Jardins de Portugal

«A Arquitectura Paisagista é uma arte, muito subtil, com uma técnica muito elaborada e baseia-se num vasto campo de ciências. Talvez se possa explicar esta relação entre a Arte, a Ciência e a Técnica, se a compararmos com a audição de uma sonata de Beethoven ao vivo. Na sonata, a arte é a interpretação artística da música, o tocar piano é a técnica, e o mecanismo do piano é o resultado de uma construção que envolve muito conhecimento científico.[…] a Arquitectura Paisagista é a arte de projectar o ambiente em que o Homem vive. Como tal, pertence às Belas Artes e é irmã da Arquitectura, pois ambas desenham o espaço em que o Homem vive. Mas se por um lado, partilham deste mesmo objectivo, por outro elas partem de direcções opostas pois a Arquitectura trabalha com a Geometria, com materiais inertes e é tridimensional, enquanto a Arquitectura Paisagista trabalha com o espaço e os materiais vivos, é dinâmica e quadridimensional. É talvez por isso que a Arquitectura Paisagista, a última das artes no tempo, é realmente a Arte do nosso tempo pois julgo que o reconhecimento do Tempo como dimensão na qual vivemos, nunca foi tão acutilante e tão verdadeiramente sentida como nos nossos dias. Mas é só uma questão de tempo porque a Música é também uma Arte na qual o tempo é importante, mas existe uma grande diferença entre elas. A Música é comandada pelo Homem, enquanto a Arquitectura Paisagista não; nós Arquitectos Paisagistas só induzimos e tentamos convencer a Natureza a colaborar connosco e é por isso que os antigos lhe chamavam ars cooperative naturae».
Este texto foi escrito em 1966 pelo Professor Caldeira Cabral1 e exprime com grande visão a profissão que projecta e cria jardins e parques e é conhecida por Arquitectura Paisagista. Caldeira Cabral foi o pai da profissão, pois criou em 1942 o primeiro curso no Instituto Superior de Agronomia ISA. Enquanto professora e continuadora desse ensino no ISA, seleccionei 75 dos cerca de 600 jardins e parques portugueses, privados e públicos, que têm a marca da cultura portuguesa e merecem ser conhecidos. Destes 75, foram escolhidos oito para a coleção filatélica, seguindo critérios geográficos – de máxima representação das várias paisagens que o país contempla –, de tempo – que incluam vários séculos – e ainda de várias origens – casa real, nobreza, clero, universidade e burguesia culta. Foram assim escolhidos os Jardins do Palácio Fronteira, da nobreza do século XVII de Lisboa; os jardins do Palácio de Queluz da Casa Real do século XVIII; o Jardim Botânico de Coimbra da Universidade, do século XVIII; a Cerca do Mosteiro de Tibães, do clero do Norte do país e com intervenções do século XVIII; o Parque Terra Nostra, especialmente a intervenção do século XIX, da alta burguesia dos Açores; os jardins do Chalet da Condessa em Sintra, criados no século XIX e com forte ligação à casa real; a Quinta do Palheiro Ferreira, também do século XIX, da nobreza Madeirense; e finalmente, a única escolha do século XX, o Parque de Serralves, criado no seio da alta burguesia do Porto a meio do último século. Estes oito jardins são uma seleção que representa bem os Jardins de Portugal e consegue, comdiversidade e tal como nos anuncia Caldeira Cabral, contar-nos como a técnica e a ciência, ao longo do tempo e da nossa história, se conjugaram com a Natureza para criar notáveis obras de arte.
Cristina Castel-Branco


Dados Técnicos

Emissão
2014 / 06 / 26
Selos
€0,42 – 2 x 155 000
€0,50 – 120 000
€0,62 – 120 000
€0,72 – 2 x 175 000
€0,80 – 2 x 115 000
Design - AF Atelier
Créditos
Selos
Palácio Fronteira, Chalet da Condessa D'Edla,
Palácio Nacional de Queluz e
Jardim Botânico da Universidade de Coimbra,
fotos António Sachetti
Parque de Serralves, foto Filipe Braga
Mosteiro de Tibães, foto Filipe Amaral
Parque Terra Nostra, foto Fernando Resendes
Quinta do Palheiro Ferreiro, foto David Francisco
Agradecimentos
Cristina Castelo-Branco
Direcção Regional da Cultura do Norte
Grupo Bensaude
Fundação das Casas de Fronteira e Alorna
Fundação de Serralves
Parques de Sintra – Monte da Lua
Quinta do Palheiro Ferreiro
Universidade de Coimbra
Pape - FSC 110 g/m2
Formato
Selos : 40 x 30,6 mm
Picotagem
Cruz de Cristo  13x13
Impressão - offset
Impressor  - INCM
Folhas- Com 50 ex. / with 50 copies
Sobrescritos de 1.º dia / FDC
C6 - €0,56
Pagela
€0,70
 


qf


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Última atualização: 16/10/2016