Jardim da Manga

 

Localizado nas traseiras de Santa Cruz encontra-se esta construção renascentista. Anteriormente, este conjunto, conhecido então por Fonte da Manga, situava-se no centro de um dos três claustros de Santa Cruz. João de Ruão traçou o plano da obra, ficando a obra de pedraria a cargo de Pero de évora, Diogo Fernandes e Fernão Luís. Das obras de cantaria ficou responsável Jerónimo Afonso. O conjunto compõe-se de um corpo central formado por uma cúpula com um lanternim assente sobre oito colunas e ladeado por quatro capelas. A simbologia do monumento é uma evocação da Fonte da Vida.

 

JARDIM DA MANGA – Também chamado Claustra Terceira ou Claustra da Enfermaria. Pertenceu ao Mosteiro de Santa Cruz, estando rodeado de edifícios monásticos, o que, actualmente não se verifica. Ladeando o restaurante estão duas escadas que dão acesso a um patamar com um bonito lavabo de mármore vindo do claustro do silêncio. Este lavabo foi comprado em Lisboa pelo prior D. Acúrcio de Santo Agostinho, cerca do ano de 1600. Construído por iniciativa do Prior de Santa Cruz, Frei Brás de Braga, cujo nome verdadeiro era Brás de Barros, a partir de 1533. A encomenda foi feita a João de Ruão que traçou o plano e executou os baixos-relevos que estão no interior das capelas, entre 1534 e 1535. Pelo seu trabalho João de Ruão recebeu 140.600 reis. A restante obra de pedraria foi encomendada a Diogo Fernandes, Fernão Luís e Pêro de Évora. “De valor simbólico na sua estrutura evocativa da Fonte da Vida, compõe-se de um corpo central com cúpula e lanternim, assente sobre 8 colunas encimadas com gárgulas representando faunos e quatro capelas ou cubelos, semelhantes a guaritas, ligados ao pavilhão por arcobotantes tendo cúpulas de forma côncava além da água e dos canais que a envolvem (Cf. NUNES, Mário – “Jardim da Manga em obras – Uma jóia da arquitectura renascentista em Coimbra”, in Diário de Coimbra de 9 de Janeiro de 2000). Os tanques (actualmente mais pequenos que os originais) e os cubelos foram executados por Diogo Fernandes, Fernão Luís e Pero de Évora, segundo contrato lavrado a 7 de Setembro de 1533 com o D. Abade Frei Brás de Barros. Os cubelos estão ligados ao pavilhão central (com cúpula, oito colunas e pequeno tanque na base, servido por quatro escadarias com seis degraus cada), por arcobotantes. João de Ruão fez as gárgulas e esculturas dos retábulos, restando apenas três, mutilados, no Museu Nacional de Machado de Castro. De muito interesse são as gárgulas e os remates de protecção às escadas. Há referências elogiosas de ilustres visitantes. Em 1589, frei Jerónimo Roman, de Loronho, cronista da ordem, de visita a Coimbra, escreveu: “o centro do Claustro da Manga está ocupado por uma fonte, de tão raro gosto que quase nem sei descrevê-la, isolada entre quatro pomares, separados por pomares que enchem tudo de frescura. Quatro escadas de pedra, ricamente lavrada, cada qual de sete degraus, acompanhadas de bestiães (lavores figurativos, em pedra), esculpidos, conduzem a um soco (peanha, base) oitavado muito perfeito e galante, sobre o qual se levanta uma fonte de grande artifício, porque a água que cai dela sobre os tanques, recolhe-se por canos secretos e assim cai a água continuadamente, sem que se saiba donde vem nem para onde vai. Em volta, sobre a água, erguem-se quatro capelas redondas, abobadadas, lavradas primorosamente... a que chamam ermidas, aonde os religiosos vão orar quando querem... Estes oratórios são compostos por dentro na perfeição, alumiados por janelas de vidraria, e cada qual com seu altar, dedicados a S. João Baptista, S. Jerónimo, S. Paulo, primeiro eremita, e a Santo Antão, todos príncipes da vida solitária” (Citado por Mário Nunes in “Jardim da Manga em obras – Uma obra da arquitectura renascentista em Coimbra”). Em 1906, Teixeira de Carvalho insurge-se contra a destruição dos baixos-relevos de S. Paulo e S. João Baptista. Hoje o Jardim não está revestido da magnificência de outros tempos: A Escola Brotero utilizou-o, o edifício dos Correios ocupou-lhe espaços, a Rua Nicolau Olímpio Rui Fernandes desprotegeu-o a norte. “Mestre António Gonçalves recolheu, ainda, no Museu Machado de Castro, três baixos-relevos das ermidas, bem como um dos bestiães” (Idem – Mário Nunes in “Jardim da Manga …”). No dia 2 de Dezembro de 1930 começaram os trabalhos de remoção dos entulhos e materiais de construção pertencentes à Escola Brotero. No local ficaram ainda a chamada casa das máquinas e o forno de cerâmica. Em 1934 abriu-se a escadaria que passou a ligar à Rua Martins de Carvalho

https://sites.google.com/site/memoriadecoimbra/dicionario/j-l/de-2

 

Jardins e Parques > Jardim da Manga


Página Principal | Atividades | Links

Copyright © 1999-2017 J. Cura, Secção Filatélica da AAC - Portugal
TODOS OS DIREITOS RESERVADOS.

[Voltar]
Última atualização: 10/06/2013