A amante de D. Pedro, a bela Inês de Castro, perpetuada na toponÍmia de
Coimbra, foi mandada executar por D. Afonso VI. Indignado, o prÍncipe, mal
subiu ao trono, logo tratou de capturar o trio de assassinos, refugiados em
Castela. Apenas dois foram encontrados e tiveram morte horrÍvel, tendo-lhes
sido arrancado o coração pelas costas e pelo peito.
Tudo começou em 1360, quando o rei anunciou o casamento secreto com a bela
galega. Os encontros realizavam-se em Santa Clara-a-Velha, a cerca de meio quilómetro
da Quinta das Lágrimas, de onde saÍa um canal estreito que terminava a uma
centena de metros do convento, servindo as águas que nele circulavam para
transportar as missivas amorosas.
Reza a lenda que Inês se encontrava "posta em sossego" quando foi
assassinada pelos três homens que a terão esfaqueado até á morte. As lágrimas
que então derramou fizeram nascer a "Fonte" onde "o sangue, que
do seu corpo saiu, ainda hoje está gravado na rocha e permanecerá para
sempre" .
Todavia, de acordo com os especialistas, os laivos de sangue do "colo da
garça", que se vislumbram nos lÍquenes que atapetam a pedra do fundo,
tomaram a cor devido à presença de uma alga, a "Hildenbranthiarosea".
Camões imortaliza os amores de Inês e D. Pedro, nos LusÍadas, Canto III estrofe CXX:
« Estavas , linda Inês, posta em sossego,
de teus anos colhendo doce fruto,
Naquele engano de alma, ledo e cego,
Que a Fortuna não deixa durar muito,
Nos saudosos campos de Mondego,
De teus fermosos olhos nunca enxuto,
Aos montes ensinando e às ervinhas
O nome que no peito escrito tinhas.
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