Iconografia Noniana, Nuno Cardoso

Capa

Nuno Tarcísio Cardoso
Iconografia Noniana
Edição do autor, 2004

Apartado 1005
3001-501 Coimbra

No ano de 2002 comemoraram-se os 500 anos do nascimento de Pedro Nunes (1502-1578), o maior matemático português do século XVI e provavelmente o maior em todos os tempos.

O livro Iconografia Noniana apresenta-se no formato 15 cm x 21 cm e contém 280 páginas (custa 10,00 euros). Foi editada pelo autor, Nuno Tarcísio Cardoso, com o apoio da Secção Filatélica da Associação Académica de Coimbra, da Comissão Central da Queima das Fitas e do Conselho Cultural da Associação Académica de Coimbra. O livro está organizado em 16 capítulos agrupadosem 5 partes.

A parte I começa por uma biografia meticulosa de Pedro Nunes. Seguimos com particular minúcia muitas peripécias e acontecimentos da sua vida e dos seus sucessos. Admiramo- -nos com a importância dos seus trabalhos e com a elevada consideração, para não dizer reverência, que os maiores matemáticos estrangeiros da época tinham por ele. Conhecemos a sua família, os passos que deu, as suas fontes de inspiração e diversos episódios interessantíssimos do seu quotidiano. Somos confrontados com os cargos que desempenhou e com as suas obras geniais, onde se incluem a fundação da navegação teórica (apresentando as famosas "curvas de rumo"), o Tratado da Sphera (1537), Astronomi Introductorii de Sphaera Epitome (algures entre 1537 e 1542), De Crepusculis (1542), Petri Nonii Salaciensis Opera (1566), entre outras. Estas últimas são as mais relevantes e o De Crepusculis constitui a sua obra-prima, na qual determina a duração máxima dos crepúsculos para cada lugar do globo, problema muito difícil que apreciaremos melhor sabendo que "ocupou os irmãos Bernoulli século e meio mais tarde, que levaram cerca de cinco anos para resolver o problema já antes resolvido por Nunes com outras ferramentas matemáticas".

Ficamos a saber, entre outras coisas, que muitos dos melhores instrumentos de Pedro Nunes foram fundidos para obter o "metal amarelo", considerado essencial para enfeitar as grades de uma igreja em Coimbra,"e assim acabaram, vítimas de uma ignorante economia, monumentos científicos, preciosos pela sua antiguidade e respeitáveis em consideração ao homem de génio que havia inventado uns, aperfeiçoado outros, e manejado todos com singular habilidade". No entanto, somos também informados de que há muito para descobrir sobre este matemático. Desconhece- -se o paradeiro de muitos dos seus documentos, e há obras perdidas, a que ele faz referência em outros livros. Ignora-se até a sua verdadeira fisionomia, pois não há retratos pintados da época e os numerosos quadros, gravuras, desenhos e esculturas foram mais ou menos inventados, diferindo imenso de uns para outros. Nem se sabe sequer onde está sepultado.

Na parte II, há uma abordagem ampla, que se pode considerar praticamente exaustiva, sobre imagens e eventos de vária ordem que estão associados a Pedro Nunes. Não foram esquecidas as numerosas "engenhocas" criadas pelo grande matemático, incluindo, como não podia deixar de ser, o famoso nónio. A documentação iconográfica contempla tudo o que o autor encontrou (e é muitíssimo, podem crer) com imagens e referências a Pedro Nunes: selos, carimbos, estátuas, a moeda e a nota de 100$00 (que andaram nos nossos bolsos), postais, medalhas, nomes de navios, aviões, e até de ruas, praças, avenidas e travessas em diversas cidades de Portugal.

Surgem ainda, associados ao nome do grande matemático português, o antigo Liceu Pedro Nunes, em Lisboa, diversas escolas e um instituto. Inclui-se ainda um mural, pintado por Lino António (1966), onde Pedro Nunes também aparece, assim como diversos quadros, gravuras e desenhos que "retratam" o grande matemático. Não foram sequer esquecidas as "homenagens inacessíveis" a Pedro Nunes, como a cratera lunar Nonius e o asteróide n.º 5313.

A parte III dedica-se exclusivamente à iconografia específica do próprio matemático. A parte IV faz luz sobre o que falta descobrir e também refere alguns mistérios da vida pessoal de Pedro Nunes. Uma quinta parte é dedicada às fontes e referências bibliográficas. A obra termina com uma base documental sólida: uma bibliografia bem documentada sobre Pedro Nunes, contendo 380 referências de autores portugueses e estrangeiros (incluindo obras do próprio Pedro Nunes), acrescida da indicação de programas de rádio e televisão onde Pedro Nunes foi mencionado e ainda de numerosas referências de sítios na Internet que a ele se referem; segue-se uma bibliografia geral e um amplo índice remissivo.

Segundo Guilherme de Almeida na Gazeta de Física: «Quanto ao conteúdo, esse merece a nossa maior admiração: é um livro a não perder!» e «A informação foi muito bem sequenciada e a escrita segue um estilo amadurecido e agradável de ler: a obra surpreende-nos agradavelmente a cada página.». Diz ainda: «Iconografia Noniana é um livro muito interessante, completo, bem documentado, muito bem organizado e bastante agradável de ler, fruto de mais de dois anos de uma pesquisa perfeccionista. Diria até que se trata de um livro indispensável a quem queira conhecer este matemático genial e saber "o que fez Pedro Nunes para ter esta consideração 500 anos depois". O título da obra é demasiado discreto e esconde uma riqueza imensa de informação que não passa pela cabeça de quem se limite a olhar para a capa.»

Segundo Jaime Carvalho e Silva «Este é pois um livro que eu recomendo a qualquer interessado pela História da Matemática; e se for professor irá passar a ter muitas mais curiosidades para contar aos seus alunos, para que estes percebam que também houve portugueses muito notáveis na Matemática
 
 

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