Faiança

Foi através da olaria que se começou a fazer faiança de Coimbra durante muitos anos utilizou-se barro vermelho, mais recentemente começou-se a utilizar barro branco.

A faiança de Coimbra é pintada á mão sobre barro cozido podendo ser vidrado opaco e posteriormente pintada e cozida, o mais comum é a pintura sobre chacota levando uma cobertura de vidro transparente e vai ao forno a uma temperatura superior a 1000 graus. De pintura muito trabalhada com desenhos minuciosos, cópias dos séculos XV, XVII e XVIII, onde predomina o azul-cobalto, é das faianças mais conhecidas e apreciadas em todo o mundo.

A primeira fábrica de faiança de Coimbra existia no séc. XVII no Terreiro da Erva no centro da cidade de Coimbra. Alguns originais dessa fábrica encontram-se no museu Machado de Castro.

A Fábrica Rossio de Santa Clara – Coimbra, fundada pelos Mestres Domingos Vandelli e Manuel Costa Brioso em 1784 foi a mais conhecida fábrica de faiança de Coimbra.

Em 1886 existiam 11 fábricas de cerâmica em Coimbra onde se produzia a faiança ratinho, que era uma louça mais barata e a faiança de Coimbra que ainda hoje é muito conhecida.

Apesar do encerramento das maiores fábricas de faiança de Coimbra, esta arte tem continuidade nas pequenas oficinas existentes em Coimbra, Ameal e Condeixa.

Fonte: http://amdomingues.no.sapo.pt/ e http://mnmachadodecastro.imc-ip.pt/pt-PT/coleccoes/ContentDetail.aspx?id=621

 

 

 


Fonte de Parede
Faiança policroma (manganês, amarelo, azul e verde)
Séc. XVIII (1781) - Coimbra, Manuel da Costa Briozo
37 x 25
Col. J. M. Teixeira de Carvalho - MNMC 9426
Esta peça é uma interpretação popular do estilo rocócó, aqui tratado com grande espontaneidade e rudeza técnica e resume o estilo das cerâmicas pertencentes à “família brioso, 2ª época”. De formato retangular, apresenta a frente moldada e recortada, com grande carranca para a torneira e motivos concheados em relevo. Do fundo, branco azulado, sobressai a decoração em dois tons de azul, verde, roxo e amarelo torrado, salientando-se o marmoreado, que preenche o espaço definido pela carranca e os motivos concheados da parte superior. Tem na face lateral direita, a azul, a marca: 1781/Briozo/Coimbra.

 


No séc. XVIII, assiste-se a um desenvolvimento sem paralelo da cerâmica coimbrã, sendo habitual dividi-la nos seguintes grupos: Pré-Brioso; Brioso - 1ª época; Brioso - 2ª época  e Vandelli. No Rossio de Santa Clara, Domingos Vandelli, inicia em 1784, a produção da que foi considerada a melhor faiança do país, em concorrência com a Fábrica do Rato. A «louça ratinha» deve o seu nome à alcunha posta aos trabalhadores das Beiras, seus grandes consumidores, que sazonalmente se deslocavam para o Ribatejo e Alentejo. Curiosamente, os pratos da fase mais antiga da produção têm inequívocas afinidades com decorações persas, uma coincidência para a qual ainda não há explicação . Esta louça, destinada a consumidores de poucos recursos, apresentava vidrado pobre em estanho e decoração esponjada em contraste com a louça “vandel”, de melhor qualidade técnica.


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A HISTÓRIA DA SEBENTA CONTADA EM PRATOS DE FAIANÇA DE COIMBRA

Como refere A. J. Soares (“A cerâmica e o Centenário da Sebenta”, em “Rua Larga”, Revista dos Antigos Estudantes de Coimbra, n.º 25, 30 de Abril de 1959, pp. 140-144):

“Uma das mais curiosas recordações das festas do «Centenário da Sebenta» [Coimbra, 28 a 30 de Abril de 1899] é a numerosa colecção de peças cerâmicas feitas expressamente pelos estudantes para servirem na bacalhoada do Largo da Feira [banquete oferecido pela Câmara Municipal de Coselhas aos representantes dos Municípios Portugueses, Almirantes e Embaixadores Estrangeiros, no final da manhã do dia 29, no Largo da Feira, cujo menu consistia em 4 pratos: 1.º - Batatas; 2.º - Bacalhau; 3.º - Batatas com bacalhau; 4.º - Bacalhau com batatas] e depois copiadas por operários cerâmicos, dado o grande interesse que despertaram.

Os estudantes que inicialmente se encarregaram da pintura dos pratos foram os alunos de Medicina Júlio da Fonseca e Francisco Pedro e ainda Álvaro Viana de Lemos (*) e José Luís Mota, que frequentavam a Faculdade de Ciências.

Algumas semanas após as festas e dado o êxito obtido pelos pratos, foi pedida autorização para serem repetidos em novas colecções os motivos desenhados com a «História da Sebenta».

Foram dois artistas de Coimbra, Miguel Costa e Adriano Costa, que se encarregaram do trabalho, pintando algumas séries com os diversos aspectos da «História da Sebenta» em pratos de faiança ordinária, agora muito valorizados pelos colecionadores.”

Da série “História da Sebenta”, A. J. Soares regista 20 pratos, todos de faiança ordinária, com o diâmetro de 21,5 cm, assinados “A. Costa” [Adriano Costa] e com a marca de fabricante “Afonso Pessoa – Coimbra”.

Desses 20 pratos (numerados de 1.º a 20.º) consegui obter imagens de 13 (2.º a 8.º, 10.º a 13.º, 18.º e 19.º).

Dos 7 pratos que faltam para completar a colecção (1.º, 9.º, 14.º a 17.º e 20.º), A. J. Soares descreve os seguintes 6:

1.º - “O NASCIMENTO DA SEBENTA TEVE LUGAR DEPOIS DA SUA IRMÃ UNIVERSIDADE – SÉCULO XIII” (Dois rapazes, com asas, seguram o dístico “GLORIA TERRA SEBENTORUM”. Por cima uma borla de lente aureolada. Por baixo, uma choupana com homem e mulher de joelhos e uma sebenta nas palhinhas).

9.º - “O INFANTE D. HENRIQUE DÁ ESMOLA A DUAS MANAS PARA TAMBÉM HAVER SEBENTA DE MATHEMATICA” (O Infante D. Henrique dá esmola a uma mulher de joelhos e outra em pé).

14.º - “NO TEMPO DOS FRANCESES A VELHA FOGE COM MEDO QUE A VIOLENTEM OS INVASORES” (Uma velha, fugindo, levando às costas um feixe de sebentas de direito romano).

15.º - “A SEBENTA TOMA PARTE NAS GUERRAS CIVIS” (Uma mulher, de pau na mão, persegue dois soldados do Batalhão Académico).

16.º - “NO SÉCULO XIX A SEBENTA COMEÇA A TER VÁRIOS USOS” (Um homem «abaixado» faz udo da sebenta).

20.º - “AO MOUSINHO DA SEBENTA – A MOCIDADE HAGARDESIDA – MONUMENTO A SENEFELDE, INVENTOR DA LITHOGRAPHIA” (Monumento erguido no Largo do Museu a Alois Senefelder, inventor da litografia, em 1796).

[A referência ao “Mousinho” justifica-se por Luís da Silva Mousinho de Albuquerque, que havia estudado o processo litográfico em Paris, ter sido o divulgador dessa técnica em Portugal, através de um artigo publicado nos “Annaes das Sciencias, das Artes e das Lettras”, de 1822, e do envio, no mesmo ano, de uma prensa e algumas pedras litográficas a Domingos Sequeira, que foi o primeiro impressor litográfico português, estando algumas das suas obras à guarda do Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa.]

A produção inicial dos pratos (menos elaborados do que os desta colecção) destinou-se ao grandioso banquete oferecido, pelas 11 horas de 29 de Abril de 1899, pela Câmara Municipal de Coselhas, no Largo da Feira, aos seus colegas (representantes dos restantes Municípios portugueses), Almirantes e Embaixadores Estrangeiros, com um menu variado, à base de batatas e bacalhau.

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(*) Álvaro Viana de Lemos (Lousã, 28/3/1881 - Coimbra, 21/8/1972), então com 18 anos de idade, frequentava o 1.º ano da Faculdade de Matemática, que, em 1911, se fundiu com a Faculdade de Filosofia (designação então dada às Ciências Naturais), dando origem à Faculdade de Ciências.

 

Texto de Mário Torres, Facebook, 2017



Sobre a Cerâmica de Coimbra, ver História da cerâmica em Coimbra (1920)

 

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Última atualização: 25/02/2018