D. João Peculiar

Nascido, provavelmente, na cidade de Coimbra , terá desenvolvido os seus estudos nesta cidade, tendo depois partido para Paris, onde poderá ter feito estudos superiores em Teologia.

A sua vida religiosa tem início no clero regular, tendo sido o responsável, entre outros, pela fundação do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra (1132) e, provavelmente, de São Cristóvão de Lafões (1123 - carta de Couto em 1137, com intervenção de Peculiar), ambos da observância de Santo Agostinho. Em 1133, introduz a Regra de Santo Agostinho no Mosteiro de São Salvador de Grijó .

Em 1136, é eleito Bispo do Porto . Note-se que sucedeu a D. Hugo , o famoso bispo que deu foral à cidade cujo senhorio recebeu de Dona Teresa. D. Hugo era um homem próximo de D. Diego Gelmírez (na foto), o poderoso arcebispo de Santiago de Compostela, que desejava ofuscar a influência de Braga como grande metrópole peninsular.
Depois veio a eleição como Arcebispo "Primaz" de Braga , em 1138 (cargo que ocupa até 1175). Neste momento, D. João Peculiar é um dos mais próximos conselheiros de Afonso Henriques e o grande cérebro da Cúria Régia - o grande responsável pela política de doações terras e concessões de cartas de Couto a numerosos mosteiros.

João Peculiar é também um notável estratega político: é graças a ele que se organiza - em articulação com Gelmírez e D. Afonso VII - a Conferência de Zamora, que resulta na assinatura do Tratado que reconhece a nossa independência e, sobretudo, a longa negociação com o Papado, entre 1143 e 1179, para a obtenção do estatuto régio de Afonso Henriques (que até aí era, pelo Papa, considerado apenas como "dux").

Para lograr este objectivo, João viaja 14 vezes a Roma (as viagens eram, na altura, penosas e demasiadamente longas, era preciso "estômago) para tentar convencer o Papa Inocêncio II a garantir a protecção do jovem Estado Português. Infelizmente, morreria 4 anos antes desta meta ter sido garantida através da Bula " Manifestis Probatum " , de 1179 (Papa Alexandre III).

José Mattoso define a "cooperação estratégica" entre Afonso Henrique e Peculiar do seguinte modo: "na verdade, podemos dizer, para terminar, que a conjugação das acções de Afonso Henriques com as de D. João Peculiar parece ser o mais evidente factor de coerência da política portuguesa no período inicial da sua história" (cf. Biografia de Afonso Henriques, publicada em 2006, pelo Círculo de Leitores, p. 135).

Fonte: http://verituga.blogspot.pt/2009/02/grandes-portugueses-ii-d-joao-peculiar.html