D. Afonso Henriques

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Afonso Henriques, o primeiro Rei de Portugal, nasceu em 1109 na cidade de Coimbra (ou Viseu ou Guimarães).

Filho do Conde Henrique de Borgonha e de D. Teresa, esta, filha bastarda de D. Afonso VI de Leão e Castela, que dera ao seu genro o Condado de Portugal.

Perde o pai muito cedo e, com apenas 17 anos, assume a governação do Condado Portucalense para tentar satisfazer as aspirações do seu pai: a independência.

Inicia-se um período de lutas contra os mouros para firmar e aumentar o domÍnio territorial e contra D. Afonso VII, o novo rei de Leão e Castela, para que este reconhecesse a independência.

No dia 25 de Julho de 1139, Afonso Henriques trava a Batalha de Ourique contra os Mouros. Esta batalha ficou para sempre na memória dos portugueses e permanece no brasão do paÍs – cinco escudos, cinco quinas, cada qual com cinco bolas representando os cinco reis mouros degolados na batalha – transforma Afonso Henriques em rei de facto e de direito, e define a identidade lusa.

Quando, em 1179, a Igreja de Roma, finalmente, reconhece a realeza de Afonso Henriques, o reconhecimento já não tem importância. A independência estava consumada, Portugal afirmara a sua soberania e o infante encerrava a vida como rei de primeira grandeza.

As derrotas de Afonso VII terminam com a assinatura do Tratado de Zamora, em 1143 e que concede a independência do Condado Portucalense que passa a chamar-se Reino de Portugal.

D. Afonso Henriques casou com a filha do conde de Mouriana e Sabóia, Mafalda de Sabóia, em 1146, de quem teve sete filhos, entre eles o herdeiro Sancho.

Após um reinado de quase 60 anos, Afonso Henriques morre no dia 6 de Dezembro de 1185, em Coimbra, e o seu corpo é enterrado no Mosteiro de Santa Cruz. A sua herança, além de uma imensa fortuna, é o Condado Portucalense, primeiro território europeu a estabelecer a sua identidade nacional.

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Emissão:

900 Anos do Nascimento de D. Afonso Henriques

“Varão valoroso no manejo das armas, eloquente e prudentíssimo em todos os seus feitos, dotado de claro engenho, de nobre figura, belo rosto e olhar agradável, muito benemérito e devoto”. Este retrato de D. Afonso Henriques, traçado por um monge de Santa Cruz de Coimbra no ocaso do século XII, é aquele que a memória colectiva retém do fundador do país que é hoje Portugal. Nascido em 1109, do casamento de D. Henrique, filho do duque da Borgonha, que descendia do rei de França, e de D. Teresa, filha de Afonso VI, rei e imperador de Leão e Castela, corria-lhe assim nas veias sangue real. Herdeiro do Condado Portucalense que seu pai recebera como recompensa pelos feitos de armas contra os mouros Almorávidas e sua mãe conservou ao enviuvar, no ano de 1112, também deles recebeu o legado da aspiração à autonomia. Avivaram-lhe a consciência de entroncar em estirpe régia e de independência territorial o aio que o educou e as altas linhagens senhoriais de Entre Douro e Minho de que se tornou aliado e chefe. O primeiro grande assomo de afirmação expressou-o gestualmente na catedral de Zamora, no ano de 1125 ou 1126, ao tomar do altar as armas de cavaleiro, recusando mãos superiores que o subalternizassem. Era infante e príncipe. A aproximação de D. Teresa à família condal galega dos Travas, a quem se uniu por dois matrimónios consecutivos, descontentou o jovem e seu círculo aristocrático, expresso no afastamento da corte da “rainha”. O Condado Portucalense formara-se com territórios desmembrados da Galiza e corriam o risco de uma reintegração a que era preciso atalhar. As forças revoltosas congregaram-se em torno de D. Afonso e passaram à ofensiva militar que se objectivou na Batalha de S. Mamede, perto de Guimarães, em 24 de Junho de 1128, dando a vitória às armas defensoras da identidade autonómica. Foi “A Primeira Tarde Portuguesa”, na expressão de um grande historiador contemporâneo. A partir de então, D. Afonso Henriques assume a chefia do Condado Portucalense. E de imediato envereda por uma política de permanente hostilidade contra o rei de Leão, Afonso VII, que vai até 1138, pretendendo alargar a fronteira setentrional com terras suas. As investidas dos Almorávidas contra pontos estratégicos conduziram à celebração da Paz de Tui com o rei leonês, embora posteriormente a venha a quebrar. Impunha-se consolidar e expandir a fronteira meridional organizando neste sentido sucessivas operações militares. Foi no contexto do novo rumo que realizou uma incursão pelas planuras alentejanas – um fossado, assim se chama –, e que encontrou pela frente o exército do mouro Ismar. Ocorre então a famosa Batalha de Ourique, em 25 de Julho de 1139, na qual as forças portuguesas venceram as do exército adversário, êxito em torno do qual se haviam de construir mitos. Que se tratou de feito relevante prova-o o facto de, a partir de 1140, D. Afonso Henriques passar a subscrever os documentos exarados pela sua chancelaria com o título de rex. A habilidade “no manejo das armas” impusera-o como rei Conquistador que importava ser reconhecido. A oportunidade surge na conferência realizada em Zamora, em Outubro de 1143, na qual celebra com Afonso VII um acordo definitivo de paz, acontecimento diplomático do maior alcance no qual revela o “claro engenho” com que era dotado. Pelo “Tratado de Zamora”, como é conhecido, o rei e imperador de Leão e Castela, reconhece tacitamente a realeza do primo, mantendo-o contudo sob sua tutela. Presente ao acto estava o cardeal Guido de Vico, como legado pontifício, perante o qual Afonso Henriques se declara vassalo do papa. Lúcio II aceita-o como tal, mas, na bula emitida, o tratamento dado não foi além de dux e Portugal apenas designado por terra. A Santa Sé defendia então uma Península Ibérica politicamente coesa para melhor resistir ao Islão. O reconhecimento do título de rex para a sua pessoa e de regnum para o território só veio a acontecer 35 anos depois pela bula Manifestis Probatum, com data de 23 de Maio de 1179, concedida por Alexandre III. De facto, tinha dado “provas manifestas” de, com esforços “bélicos e aguerridas pelejas”, ter sido “um intrépido extirpador dos inimigos do nome cristão”, de que eram eloquentes testemunhos as conquistas de Santarém, das cidades de Lisboa e Évora e de tantas outras estratégicas vilas alentejanas. Mas o “bom filho e príncipe católico” também restaurara as dioceses de Viseu, Lamego e Lisboa. Tinha feito doações aos Templários e Hospitalários, nascidos para apoiar as cruzadas à Terra Santa; fundara os mosteiros de cónegos regrantes em Lisboa e Coimbra e o dos cistercienses em Alcobaça. Para com estes e muitos outros fora grande “benemérito e devoto”. Depois do insucesso na conquista de Badajoz (1169), em que fracturou uma perna e foi capturado por Fernando II de Leão, alcançada a liberdade, passa a maior parte do tempo em Coimbra, dedicando-se à administração do reino em co-regência com o filho D. Sancho I, nascido do casamento com Matilde de Maurienne e Sabóia. Aí fez o testamento (1179) e veio acabar os seus dias, em 6 de Dezembro de 1185. Elegeu para sepultura o mosteiro de Santa Cruz, onde teve grandes amigos e conselheiros. Em artístico mausoléu, mandado esculpir por D. Manuel, repousa aquele que fora “de nobre figura, belo rosto e olhar agradável”. Deixava como legado o Reino de Portugal politicamente emancipado.

Carlos Margaça Veiga
(texto da pagela)


Dados Técnicos

Obliterações do 1º dia em:
Lisboa / Porto / Funchal / Ponta Delgada / Guimarães

Emissão: 2009 / 06 / 24

Selos:
€0,32 – 330 000

Bloco:
Com um selo
€3,07 – 60 000

Design: Atelier Acácio Santos / Elizabete Fonseca
Selo: efígie do séc. XII atribuída a D. Afonso Henriques, Museu do Carmo/José Pessoa/DDF/IMC; palavra-sinal «Portugal» em Carta de Doação, 1129, Torre do Tombo/DGARQ/José António Silva;
Bloco: Carta de Couto doada ao Mosteiro de Tibães em 1140; selo: Apocalipse do Lorvão (pormenor), Torre do Tombo/DGARQ/José António Silva.

Papel: 103g/m2

Formato:
Selo: 40 x 30,6 mm
Bloco: 95 x 125 mm

Picotagem: 13 x Cruz de Cristo

Impressão: offset

Impressor: INCM

Folhas: Com 50 ex.

Sobrescritos de 1º dia:
C6 – €0,55
C5 – €0,74

Pagela:€0,70


Vinhetas Filatélicas- 1932, Varões Assinalados - Maiores de Portugal, Ed. Latina/Porto, Mini-Folha completa de 10 vinhetas impressas em castanho s/ creme, representações do Infante D. Henrique, D. João II, Bartolomeu Dias, Vasco da Gama, Afonso de Albuquerque, Pedro Álvares Cabral, Fernão de Magalhães, D. Afonso Henriques, Nuno Álvares Pereira, e D. João de Castro. Fonte: Leilões P. Dias

carta
Carta inteira de Natal com Marca da EC D. Afonso Henriques de Lisboa de 9-12-1998


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Última atualização: 04/10/2017