Correio-mor

Na Rua Fernandes Tomás encontra-se o Palácio dos Correios-Mores (edifício original foi construído no século XVI), junto à Igreja do Colégio de Santo António da Estrela.

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Brasão da família Correios-Mores de Coimbra

António de Vasconcelos, 1º Director do Arquivo da Universidade de Coimbra, no livro "Brás Garcia Mascarenhas" (Coimbra, Imprensa da Universidade, 1922, páginas 173/74), fala na família Juzarte Correios-Móres de Coimbra:

"É uma família muita distinta de Coimbra, esta dos Juzartes, cuja pedra de armas ainda hoje se vê sobre o portão da sua casa na antiga rua das Fangas, hoje chamada de Fernandes Tomás, logo abaixo das escadas que comunicam esta rua com a antiga do Correio, ora de Joaquim António de Aguiar. Pertence hoje esta casa a um ramo da família dos Garcias Mascarenhas, enlaçada com a dos Juzartes (Nota geneal. I, XII b',,).

Eis a árvore genealógica dos Juzartes, segundo um nobiliário dos princípios do século XIX, pertencente ao meu ilustre colega Dr. Eugénio de Castro e Almeida:

1. Pedro Rodrigues Juzarte, que parece foi filho de Rodrigo Juzarte, neto do conde de Liuzarte estribeiro do infante D.Pedro duque de Coimbra, regente na menoridade de D.Afonso V; e casou com Catarina de Oliveira, de Monte-Mór-o-Velho

2. Vasco de Oliveira Juzarte, morador em Monte-Mór-o-Velho no reinado de D.Afonso V, casou na casa de Francisco de Andrade, o qual era marido de uma irmã do bispo D.Brás Neto

3. Miguel Juzarte, filho 2º, ouvidor em Cantanhede, onde casou em casa de Domingos Gonçalves Godinho

4. Agostinho Juzarte, morador em Cantanhede, casou em casa de Pedro Soares

5. Miguel Juzarte de Andrade, c.c. a herdeira de Lançarote Ribeiro

6. Francisco Cardoso Juzarte, vereador e correio-mór de Coimbra em 1653, c.c. a filha e herdeira de Agostinho Maldonado, tabelião em Coimbra, filho de António Alves Antunes e de Guiomar Vaz Maldonado

7. Agostinho Juzarte Maldonado, familiar do Santo Ofício, c.c. D.Ana Teresa da Silva, filha e herdeira de Francisco Gonçalves Tojeiro da Silva, e de sua mulher D.Maria Gonçalves Tojeiro, de Matozinhos

8.1 Francisco Juzarte Maldonado Cardoso Ribeiro da Silva, fidalgo-cavaleiro da C. R. em 1717, senhor de Eiras e Vilarinho, c.c. a herdeira de António Machado de Paços, do Pôrto

8.2 D.Teresa Maria da Silva Juzarte, c.c. Bento Madeira de Castro, 1º editor do "Viriato Trágico". Da sua descendência nos ocuparemos adiante (VII c)

8.1.1 António Xavier Juzarte Cardoso, fid. caval., casou na casa de Pedro Lopes

8.1.1.1 Francisco Xavier Juzarte de Quadros, fid. caval., correio-mór de Coimbra, casou na casa de Francisco Baptista Montes, de Fontelas, sobre o Douro

8.1.1.1.1 António Juzarte de Quadros, n. em 1784

8.2.1 D.Francisca Xavier Juzarte Cardoso, c.c. Bernardo da Silva Castelo-Branco e Melo, da quinta dos Corvos à Nogueira, freguesia de Santos Evos

8.2.1.1 D.Antónia Luisa de Melo Cardoso, c.c. o Dr. Bernardo Duarte de Figueiredo, de Avô, cuja descendência estamos descrevendo".


Segundo Godofredo Ferreira, no estudo intitulado “Assistentes do correio-mor do Reino em Coimbra” (Separata, publicada em 1966, dos n.os 296 a 299, 301 e 302 do “Guia Oficial dos CTT”), fala dos Correios-Mores de Coimbra

[p. 7] “Mais de dois séculos decorreriam [da transferência da Universidade de Lisboa para Coimbra, em 1308] ainda antes de ser posta à disposição do público uma organização de correios de ofício, incumbidos de levar as correspondências de um para outro ponto do país, porquanto só em 1520 se criou o cargo de [p. 8] «Correio-Mor do Reino», e os seus serviços, centralizados em Lisboa, só algumas décadas depois se ramificariam até Coimbra e outras cidades de Portugal (...)
[p. 10] No último quartel do século XVI, como consequência do considerável acréscimo de correspondências entre Portugal e Espanha, determinado pela residência de Filipe I de Portugal (II de Espanha) em território português, o correio tomou grande desenvolvimento como serviço de utilidade pública. Com o regresso do soberano a Espanha, o tráfego diminuiu, mas a posição alcançada pelo nosso correio não se alterou; e houve necessidade de colocá-lo em condições de satisfazer as exigências do escalão que alcançara. Criaram-se carreiras ordinárias para o serviço interno e de relações com a Espanha; e para as assegurar impôs-se a obrigação de estabelecer nas principais cidades do país delegados do «Correio-Mor do Reino» encarregados de fiscalizar a celeridade da marcha dos «correios-peões» e «correios a cavalo», de prover o bom encaminhamento das correspondências e, em especial, de proceder à recolha e distribuição de correspondência que dizia respeito à àrea da sua administração, com a cobrança dos portes estipulados.
É sem dúvida, desta época, a nomeação do primeiro delegado ou «assistente» para a cidade do Mondego; mas este, como aconteceu nas outras localidades do país, achou modesta a designação de assistente e logo se intitulou «Correio-Mor de [p. 11] Coimbra»; e de tal modo se lhe colou, e aos seus sucessores, o sonoro título, que assim foram conhecidos e designados, mesmo em documentos oficiais, até 1813. Nós, porém, de harmonia com o que deixámos exposto no prólogo do nosso trabalho «Assistentes do correio-mor do Reino em Viseu» (1960), preferimos designar esses altos funcionários pelo cargo que verdadeiramente desempenhavam”.

Mais à frente, Godofredo Ferreira “retrata” pormenorizadamente os diferentes detentores do cargo, ficando-se assim a saber que os seis últimos “Correios-Móres” de Coimbra saíram desta família Zuzarte/Juzarte, designadamente:


FRANCISCO CARDOSO ZUZARTE
«7.º Assistente do Correio-mor do Reino em Coimbra — 1653 (?) a 1659»

[p. 47] “Filho de Miguel Zuzarte de Andrade, que teve carta de brasão de armas dos apelidos «Zuzartes e Andrades», em 1605, e de D. maria Ribeiro, nasceu em Cantanhede no último quartel do século XVI, de uma das melhores famílias da região.
Foi da obrigação do Marquês de Marialva, cuja casa serviu, e veio para Coimbra, onde ocupou vários cargos da governança da cidade, tais como: superintendente dos linhos; escrivão do Hospital de Coimbra; vereador da Câmara de Coimbra, em vários anos; juiz de fora interino, por mais de uma vez; comissário para o alistamento de soldados voluntários (1647); Presidente da Junta das décimas da freguesia de Santa Cruz; deputado dos marachões; almotacé diferentes vezes, etc.
[p. 48] Teve o ofício de assistente de Correio-mor do Reino, cargo que já ocupava pelo menos em 1653.
Como e quando passou o lugar de correio de Coimbra para Francisco Cardoso Zuzarte, não sabemos. Sendo aquele propriedade dos Azevedos, por doação absolutamente legalizada, como atrás vimos em pormenor, mal se compreende que eles o tivessem largado de mão sem forte motivo. poderá ter sido uma venda do ofício, autorizada pelo Correio-mor do Reino; mas o que nos parece mais provável é que António de Azevedo, 2.º, tenha falecido sem descendentes e sem herdeiros dentro da família e que, por tal razão, o cargo regressasse automàticamente à posse do Correio-mor do Reino, que dele dispos a favor de Francisco Cardoso Zuzarte, pessoa dinâmica, como hoje se diz, e de excelentes relações sociais no meio coimbrão, o que era condição apreciável para o bom desempenho do importante lugar, seu desenvolvimento e acréscimo de rendimento.
Na família Cardoso Zuzarte se conservaria a função através de seis gerações, durante 160 anos, rotulados os seus servidores, até em documentos oficiais, como «correios-mores de Coimbra», vaidade, cujo uso quase fez lei” (...)
[p. 49] Francisco Zuzarte, que foi senhor da nobre quinta da Copeira, faleceu na sua casa da rua da Moeda — onde certamente teria a repartição do correio — a 20 de Novembro de 1659, e foi a enterrar na igreja de Santa Cruz, defronte do altar de Santa Comba.
Foi casado com D. Isabel Maldonado, filha de Agostinho Maldonado, escrivão da receita do [p. 50] hospital da Universidade, e tabelião. Houve os filhos seguintes:
Agostinho Zuzarte Maldonado, com quem se segue;
D. Miguel de Santa Maria, frade crúzio; D. Joana do Deserto, D. Maria da Natividade e D. Juliana, freiras em Sant'Ana de Coimbra”.


AGOSTINHO ZUZARTE MALDONADO
«8.º Assistente do Correio-mor do Reino em Coimbra — 1659 a 1701»

[p. 51] “Filho de Francisco Cardoso Zuzarte e de D. Isabel Maldonado, nasceu em Coimbra, por volta de 1640 (?).
Matriculou-se em Cânones na Universidade de Coimbra, em 1661, já depois de ocupar o lugar de correio da mesma cidade, que herdara do pai.
Foi familiar do Santo Ofício e das pessoas mais ricas de Coimbra, onde exerceu vários cargos públicos, como o de vereador, almotacé, escrivão do Hospital de Coimbra, etc.
Arrancou da vida a 23 de Dezembro de 1701, e foi a enterrar na igreja do Convento de Santa Cruz, por lá ter sepultura de família.
[p. 52] Casara em Matosinhos com D. Ana Teresa da Silva, filha herdeira de Francisco Gonçalves Tojeiro, de quem houve os filhos seguintes:
Francisco Zuzarte Cardoso Maldonado, a quem nos referimos no capítulo seguinte; e
D. Teresa Silva, que casou com o capitão-mor de Avô, Bento Madeira da Costa e Castro (...)”.


FRANCISCO ZUZARTE MALDONADO
«9.º Assistente do Correio-mor do Reino em Coimbra — 1701 a 1728»

[p. 55] “Filho de Agostinho Zuzarte Maldonado e de D. Ana Teresa da Silva, nasceu em Coimbra e sucedeu a seu pai no lugar do correio .
Formou-se em Leis, na Universidade de Coimbra, em 1694; foi familiar do Santoo Ofício; fidalgo-cavaleiro por mercê do Rei D. João V; e teve carta de brasão de armas dos apelidos «Zuzartes, Cardosos Ribeiros e Maldonados», em 1723.
Instituiu o morgado dos «Zuzartes» e teve, além disso, os senhorios da Capela dos Silvas Tojeiros, de Matosinhos, por herança, e do prazo de Vilarinho Casais das Eiras, que comprou.
Erigiu uma ermida perto do Arco da Copeira, cuja invocação era a de um «Crucifixo Milagroso», de grande devoção popular.
Faleceu repentinamente na sua casa da Rua das Fangas, a 15 de Dezembro de 1728 e foi [p. 56] sepultado na igreja do Convento de Santa Cruz como os seus antepassados.
Fora casado com D. Mariana Machado de Paços, filha herdeira de António Machado de Paços, e dela houve:
António Xavier Zuzarte Maldonado, de quem tratamos no capítulo seguinte;
D. Joana Eusébia da Silva, freira em Santa Clara de Coimbra;
D. Luísa Isabel da Purificação, freira em Santana; D. Francisca Xavier Zuzarte Cardoso, que casou com Bernardo da Silva Castelo Branco; e
D. Maria Vitória Maldonado Cardoso.
A excelente casa solarenga que os «Zuzartes» possuíam na velha rua das Fangas (hoje Rua Fernandes Tomás) estava implantada no sítio onde outrora foi o «mercado das farinhas». É bem provável que esta casa fosse adaptação, ou até mesmo reconstrução, de outra ali existente à data em que os Zuzartes nela se fixaram, o primeiro dos quais terá sido Francisco Zuzarte Maldonado. O brasão colocado sobre a porta principal do imóvel é justamente o que em 1723 foi concedido a este assistente do correio-mor do [p. 57] Reino, e o aspecto arquitectónico da casa não vai fora dessa mesma época, apesar das alterações com que terá chegado aos nossos dias.
As traseiras do edifício davam para a antiga rua de S. Cristovão, que veio a chamar-se «rua do Correio», depois que nesta parte do mesmo edifício se alojou aquele serviço público, e lá se conservou por mais de um século. E por tal forma o nome se colou à rua, que, muitos anos depois dali ter saído o correio, e de a mesma artéria ser crismada de Joaquim António de Aguiar, ainda o vulgo a designava pelo antigo nome.
A velha casa teve vários inquilinos depois que de lá saíram os «Zuzartes», em 1813, e o correio depois.
Ali tiveram assento, alternadamente, duas associações secretas, em 1848; e para que as entradas e saídas dos «encobertos» associados se não tornassem notadas, improvisou-se uma sala de diversões, com bilhar, que mascarava a verdadeira finalidade das reuniões. Em 1854, 1856 e 1863 ali esteve a tipografia «Comercial»; e...nada mais sabemos do decaído solar, de que reproduzimos três fotografias”.


ANTÓNIO XAVIER ZUZARTE CARDOSO MALDONADO
«10.º Assistente do Correio-mor do Reino em Coimbra — 1728 a 1777 (?)»

[p. 59] “Filho de Francisco Zuzarte Maldonado e de D. Mariana Machado de Paços, nasceu em Coimbra, a 15 de Janeiro de 1707.
Foi fidalgo da Casa real, Cavaleiro da Ordem de Cristo, Familiar do Santo Ofício, Senhor do morgado dos Zuzartes, dos prasos de Vilarinho e do casal das Eiras e administrador do morgado e Capela de S. Francisco no Convento de Leça.
Frequentou a Universidade de Coimbra e, por herança de seu pai, teve os ofícios de assistente do Correio-mor do Reino em Coimbra, e de escrivão da receita e despesa do Hospital real da mesma cidade.
Faleceu, segundo parece, por alturas de 1777.
Fora casado com D. Brites Madalena Henriques de Meneses Quadros, filha de Pedro Lopes de Quadros, de quem houve:
D. Magdalena Zuzarte de Meneses;
[p. 60] Francisco Zuzarte Maldonado de Quadros, de quem tratamos no capítulo seguinte;
José Zuzarte de Quadros, que nasceu em Coimbra em 1745 e faleceu na mesma cidade em 1791. Cavaleiro-fidalgo, casou com sua prima D. Joana Madalena da Silva e Quadros, e foi ascendente dos Condes de Tavarede;
D. Maria Magdalena de Meneses, que nasceu em Coimbra em 1751.
Este «assistente do correio», como provàvelmente seu pai e seu avô, não exerceu pessoalmente o ofício. Um seu serventuário, com a designação de «tenente» ou de «intendente» dirigia os serviços e entregava-lhes as rendas, única coisa que lhes interessava.
Em 1774, António Xavier dava, como garantia das suas dívidas, a renda de várias propriedades e «o rendimento do Correio de Coimbra, donde até ao presente se lhe pagaram por mão do tenente do mesmo correio» (Torre do Tombo — Desembargo do Paço da Beira).
Esta referência parece bem esclarecedora do que do que afirmámos quanto ao exercício do cargo.
Em 1760, por exemplo, era «Intendente» do Correio de Coimbra Brás Teixeira de Paula, que naquele ano teve carta de familiar do Santo Ofício”.


FRANCISCO ZUZARTE DE QUADROS
«11.º Assistente do Correio-mor do Reino em Coimbra — 1777 (?) a 1783»

[p. 61] “Filho de António Xavier Zuzarte Cardoso Maldonado e de D. Brites Madalena Henriques de Meneses Quadros, foi apadrinhado no baptismo, a 21 de Outubro de 1742, pelo Correio-mor do reino José António de Sousa Coutinho da Mata, que para o efeito deu procuração a Álvaro Teles de Meneses e Quadros, tio do neófito.
Formado em leis pela Universidade de Coimbra em 1767, foi Senhor dos morgados e prazos dos seus antecessores, e igualmente teve, como eles, os ofícios de correio assistente de Coimbra, e escrivão da receita e despesa do Hospital da mesma cidade.
Faleceu a 10 de Outubro de 1783, em casa de seu sogro «apressadamente, o que fez dizer que o ajudaram» («Arquivo do Distrito de Aveiro» — N.º 79 — 1954, pág. 239).
[p. 62] Casara poucos meses antes, em Sidacelhe (Douro), com D. Ana Clementina Cabral, que lhe trouxe um dote de 42.000 cruzados.
Houve um filho póstumo, António Xavier Zuzarte Quadros, a quem nos referimos no capítulo seguinte (...)”.


ANTÓNIO XAVIER ZUZARTE QUADROS
«12.º e último Assistente do Correio-mor do Reino em Coimbra — 1784 a 1813»

[p. 65] “Filho de Francisco Zuzarte de Quadros e de D. Ana Clementina Cabral, nasceu na freguesia de Fontelas, em Fevereiro de 1784, quatro meses após a morte de seu pai. Era, pois, filho póstumo, e assim, durante a sua menoridade, foi a mãe encarregada, por alvará régio, de administrar o correio de Coimbra. Não foram, porém, muito amistosas as relações entre mãe e filho, depois que este entrou na adolescência, como se infere de um processo que correu pelo Desembargo do Paço da Beira, em que há mútuas recriminações. Ele diz «que a mãe tenciona casar em segundas núpcias»; e ela declara «desejar libertar-se da tutela e acusa o filho de gastador pródigo, inquietando-a diàriamente, e não há dinheiro que lhe chegue» (Torre do Tombo — Desembargo do Paço da Beira —360/27353).
[p. 66] António Xavier Zuzarte de Quadros, foi fidalgo-cavaleiro da Casa Real, ingressou na vida militar com quatorze anos incompletos, como cadete do regimento de Cavalaria 12, unidade em que, mais tarde, veio a exercer o posto de tenente-coronel.
Em 1808, alegando serviços prestados por ocasião das invasões francesas, pediu o governo das Armas de Aveiro, o que parece lhe não concederam, embora no ano seguinte se encontrasse na região a comandar as milícias de Coimbra encorporadas na Divisão de Entre-Douro e Minho que se opunha à passagem das tropas francesas do comando do Marechal Soult pelo rio Vouga («Arquivo do Distrito de Aveiro» — n.º 93, de 1958, pág. 51).
Era tenente-coronel agregado ao Regimento de Milícias da comarca de Aveiro, quando se reformou, em 6 de Julho de 1812, parece que por falta de saúde.
No que respeita à carreira de funcionário postal, saliente-se como facto mais notável ocorrido no período da sua administração, embora para isso nada tenha contribuído, o estabelecimento da MALA-POSTA ENTRE LISBOA E COIMBRA (...)
[p. 91] A 30 de Setembro de 1813 faleceu António Xavier Zuzarte de Quadros e foi a enterrar na Igreja de Santa Cruz.
Solteiro e sem filhos, com a sua morte quebrava-se, automàticamente, a dinastia dos «Zuzartes correios-mores de Coimbra». Três membros da família que pretenderam a sucessão não foram atendidos, porque os tempos haviam mudado, e o uso consuetudinário da passagem dos cargos públicos de pais para filhos era sistema julgado intolerável, naquele princípio do século XIX.
Além dos três membros da família acima referidos, a mãe do extinto, D. Ana Clementina Cabral; uma prima, D. Antónia Madalena de Quadros e Sousa, sucessora legítima do morgado; e o filho desta, o Barão de Tavarede, João de [p. 92] Almada Quadros de Sousa Lencastre; muitos mais pretendentes apareceram a solicitar o chorudo cargo: João Torcato, oficial do Ministério da Marinha; José Maria de Almeida, e Sousa e seu pai Manuel de Almeida e Sousa; José Maria Osório Cabral, fidalgo da Casa Real; Luís Porfírio da Mota e Silva, fidalgo da Casa Real; Francisco Alves Agrão Martins; João dos Santos Correia, fiel do Real Museu da Universidade; e Joaquim José Mendes Fevereiro, «Assistente» do Correio de Castelo Branco e grande proprietário no mesmo distrito. Como se vê, os concorrentes não faltaram; mas o Ministro dos Negócios Estrangeiros, a quem então estava subordinada a Sub-Inspecção Geral dos Correios e Postas do Reino, a nenhum atendeu, porque resolvera explorar aqueles serviços directamente pelo Estado como já fizera com o Porto, anos atrás.
À data do falecimento de António Xavier a receita bruta do correio de Coimbra era de sete contos anuais, dos quais ele pagava, como rendeiro que era da Sub-Inspecção, três contos de réis de pensão anual; e para garantir a sua responsabilidade na remessa de dinheiros e correspondências registadas, tinha uma caução de dez contos. Além destas importâncias dava anualmente ao Correio-mor do Reino e, quando este acabou, à Sub-Inspecção, uma «pitança» constituída por uma «caixa de frutas e pêssegos», e «pela quaresma barris de lampreia». As «pitanças», muito variadas, em qualidade e quantidade, que pagavam bastantes dos «Assistentes» pelo país fora, eram ini- [p. 93] cialmente simples galanteria e amabilidade para com seu chefe; mas, com o decorrer dos tempos, quase veio a constituir obrigação, uma espécie de foro.
As cifras apontadas deixam-nos ver quão rendoso era o ofício de «assistente» de Coimbra; e, por isso, não admira que o Estado aproveitasse a morte do último funcionário daquela categoria na cidade do Mondego, para instituir ali uma administração por sua conta, e assim canalizar para o Tesouro Nacional os rendimentos daquele serviço público. Aliás essa resolução estava prevista para outras localidades, à medida que o plano fosse exequível”.


Em 7 de Setembro de 1579, ano em que reinava já em Portugal o Cardeal D. Henrique, foi nomeado Correio-Mor, por indicação de D. Sebastião, Manuel de Gouveia.

Manuel de Gouveia exercia ainda as suas funções de Correio-Mor aquando da crise da sucessão. Um curioso manuscrito existente na Biblioteca da Universidade de Coimbra ( Manuscrito 1489, fls. 35, verso ) , diz-nos que "vindo a este Reino El-Rei Filipe 2º que se havia senhoreado dele no ano de 1580, se introduziu neste oficio o Correio-Mor de Castela e o serviu por seu Assistente até Agosto de 1583 ".

Fonte: O Correio em Portugal, Armando Mário O. Vieira


Livro: Assistentes do correio-mór do reino em Coimbra (ver publicações)


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Última atualização: 12/07/2012