Cédulas e notas

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Cédula é a designação que se consagrou para o dinheiro de pequeno valor, geralmente considerado como dinheiro de trocos, quando feito em papel, por oposição à designação de nota reservada para o mesmo dinheiro de papel, mas de valores elevados. Certos autores designam por cédula os valores inferiores a 1$00. Outros, o papel moeda emitido pela Casa da Moeda e ainda municípios e particulares, deixando para o Banco de Portugal as notas.
Em termos técnicos de finanças, distingue-se a cédula da nota, por a cédula ser convertível em metais pobres e a nota ser convertível em prata ou ouro.
O dinheiro de trocos é de intensa circulação, pelo que, quando executado em papel, se deteriora com grande rapidez, sendo por isso solução a que só se recorre excepcionalmente quando, por qualquer razão, não se pode dispor de metal. Este é um dos principais argumentos que leva à designação de dinheiro de necessidade ou dinheiro de emergência.
Em Portugal, houve dois períodos principais de emissão de cédulas, bem diferentes um do outro pelas suas características. O primeiro durante a crise financeira de 1891, o segundo, no fim da Primeira Grande Guerra, entre 1917 e 1922, período em que houve grande inflação que levou a que o dinheiro em metal se valorizasse e desaparecesse, porque as pessoas o guardavam.
in Museu do Papel Moeda


Cédula de 5 centavos, Câmara Municipal de Coimbra, verde escuro, emissão de 1921. Regular. Fonte: Leilão CFP

ced 5c fonte: Megaleiloes

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Cédula 1 centavo verde da Câmara Municipal de Coimbra, série A (1920). Fonte: Leiloes.net


Cédula 1 centavo verde amarelo da Câmara Municipal de Coimbra, série B (1920). Fonte: Leilão CFP
Nº CATÁLOGO: 1487 CÉDULA DA CÂMARA MUNICIPAL DE COIMBRA - 1 CENTAVO DUPLA FACE - MANCHA 64 x 39 1920 - CHANCELA A ROXO


Cédula 2 centavos castanho, série B, da Câmara Municipal de Coimbra (1920). Fonte: Leiloes.net


Câmara Municipal. 1c. MA737. Fonte: 31º Leilão CFP


nota

A nota de 1000 escudos com a efígie do primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques, foi aprovada a 2 de Maio de 1941. Não existindo qualquer documento coevo que pudesse ser usado para a criação da efígie deste Rei, tornou-se necessário fazer um arranjo que se aproximasse o mais possível da verdade histórica. Assim, os serviços técnicos do Banco decidiram-se pelo retrato do rei existente na Sala dos Capelos da Universidade de Coimbra, com a introdução das seguintes alterações: inversão da posição da figura por forma a que, colocada à direita da nota, ficasse voltada para dentro, e substituição da armadura do século XV, apresentada anacronicamente no retrato, pelo lorigão usado em Portugal no princípio da monarquia (segundo o catálogo do Museu Militar). Esta nota viria a ser emitida para circulação em Agosto de 1944, sendo retirada em 30 de Junho de 1978, embora a sua emissão tenha terminado em Janeiro de 1959. No verso observa-se uma o túmulo de D. Afonso Henriques, no Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, apresentando a marca de água do lado esquerdo da nota a cabeça de D. Afonso Henriques com capelo de nasal coroado sobre coifa de malha, de perfil para o centro.
Texto de C. Ferrão

nota

A 29 de Setembro de 1942, o Conselho de Administração do Banco de Portugal aprovou uma nova nota de 500 escudos. Esta nova nota prestou homenagem ao cronista quinhentista Damião de Góis, tendo ainda elementos decorativos existentes no Mosteiro de Santa Cruz em Coimbra, e entrou em circulação em 7 de Setembro de 1943 sendo recolhida em 31 de Maio de 1973. A ilustração da frente da nota era composta por elementos extraídos da Igreja de Santa Cruz de Coimbra, com destaque para a figura de Damião de Góis. No verso da nota estava representado o púlpito renascentista da Igreja de Santa Cruz de Coimbra e uma cabeça copiada de um medalhão manuelino existente nas colunas do túmulo de D. Afonso Henriques que foi utilizado na marca de água. Texto de C. Ferrão


Esta nota de 1000 escudos que circulava desde 14 de Dezembro de 1965, foi uma das envolvidas no caso do assalto à Agência do Banco de Portugal na Figueira da Foz, em 17 de Maio de 1967, o que deu origem à retirada antecipada da circulação e consequente encurtamento da sua existência. No entanto, tratou-se de uma das belas notas da República. No aviso público da retirada da circulação, de 30 de Junho de 1967, o Banco de Portugal, informava que as 18.500 notas roubadas, não foram postas em circulação, pelo que não possuem curso legal e poder liberatório, nem sendo suscetíveis, a qualquer tempo, de reembolso ou troca. As maquetas iniciais foram elaboradas pelo arquiteto João de Sousa Araújo. A estampagem da frente continha o busto do Rei Lavrador, D. Dinis com os pormenores da estátua, de coroa e cetro reais, da autoria de Francisco Franco, presente em Coimbra junto à Universidade. No verso estava patente uma Tapeçaria Mural de autoria de Manuel Lapa, “A Fundação do Estudo Geral pelo Rei D. Dinis” patente na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, que representa a fundação dos Estudos Gerais precursores da Universidade portuguesa inicialmente em Lisboa e depois em Coimbra em 1290, sob proteção de D. Dinis. A marca de água foi colocada no lado esquerdo da nota e apresentava a cabeça de D. Dinis, em redução do retrato estampado na frente da nota e, na parte inferior, a legenda “Banco de Portugal”.

Texto de C. Ferrão

A nota de 50 escudos que iniciou a circulação a 21 de Junho de 1965, prestou homenagem à Rainha Santa Isabel uma das figuras da sociedade portuguesa do século XIV, associando-se motivos relativos ao milagre das rosas. O retrato da rainha foi baseado em pintura do primeiro quartel do século XVI atribuída a um discípulo de Quintino Metsys e que faz parte do acervo do Stadt Kunstmuseum de Dusserldorf na Alemanha. As maquetas foram de autoria do arquiteto João de Sousa Araújo. No verso, um excerto de uma gravura de Coimbra medieval de autoria de Georg Hoefnagel/Hogenberg, colorida por Braun que desempenhava o papel de editor da Civitatis Orbis Terrarum a obra que incluiu a imagem. A marca de água apresentava como filigrana especial, no lado direito, a cabeça da Rainha Santa Isabel, idêntica ao retrato estampado na frente da nota, e inferiormente a legenda “Banco de Portugal”. A ultima emissão foi a 11 de Abril de 1979 e retirada da circulação a 30 de Junho de 1987.
Texto de C. Ferrão


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Última atualização: 17/06/2020