S. Vicente de Paulo nasceu em Pouy - Dax (hoje Saint Vicent de Paul) - França em 1581 e faleceu a 27 de Setembro de 1660.
Em 1600 é ordenado sacerdote e nomeado capelão da Rainha Margarida de Valois, e, dois anos mais tarde, pároco de Clichy, que transforma radicalmente de inferno para paróquia modelo, sendo convidado para ser preceptor da famÍlia de Filipe de Gondi, general das galés, o qual acompanha nas suas deslocações pelas herdades. Verifica aÍ a verdadeira miséria dos lavradores do interior.
Mais tarde, foi nomeado pároco de Chatillon-les-Dombes, onde funda a primeira "Confraria da Caridade" destinada a "ajudar o corpo e a alma a bem morrer e a bem viver".
De novo em casa dos de Gondi, que o reclamam, põe em pé a Congregação da Missão, destinada a evangelizar o meio rural, a qual se expandiu rapidamente.
Torna-se, devido à amizade com Filipe de Gondi, capelão real das galés e toma contacto com as prisões, verdadeira imagem do inferno, conseguindo melhorar a sorte dos desgraçados presos, tranferindo-os para lugares habitáveis, organizando visitas e ajudando-os, tanto no campo material como no espiritual.
Em 1633, com Luisa de Marillac, que o vinha ajudando nas "Confrarias da Caridade", funda as Filhas da Caridade, Irmãs que se dedicam ao apoio dos mais pobres e que, como disse S. Vicente, "terão por mosteiro as casas dos doentes".
Junto dos poderes e da sociedade da altura, exerce grande pressão para acabar com a guerra, apoia a criação de orfanatos e escolas para as crianças desfavorecidas, organiza um vasto socorro às zonas devastadas pela guerra, vencendo a fome, as epidemias e levantando ruÍnas.
Numa conversa com uma Filha da Caridade dizia: "Se deixais a oração para ir aos pobres, deixais Deus para o reencontrar logo depois". Aqui se vê a santidade de Vicente de Paulo.
Falecido em 1660, com quase 80 anos, foi canonizado em 16 de Junho de 1737, vindo a ser proclamado por Leão XIII patrono das obras de caridade. O seu espÍrito continua vivo nas suas
obras.
Hoje em Portugal
e no mundo os Padres Vicentinos, as Filhas da Caridade de S. Vicente de Paulo, as Conferências Vicentinas, a Juventude Mariana Vicentina e muitas mais instituições continuam fiéis ao carisma original de
S. Vicente de Paulo: servir os pobres, porque eles "são os nossos senhores e mestres" e porque devemos amar a Deus "com a força dos nossos braços e à custa do suor do nosso rosto".
Os CTT portugueses lançaram em 1963, para comemorar o tricentenário da morte deste santo, uma série de 4 selos com a efige do santo em baixo relevo de Maria Flávia Monsaraz apenas diferenciados pela cor de fundo e
pela taxa ($20, 1$00, 2$80 e 5$00) respectivamente, impresso em Londres pelo método de rotogravação em papel liso e denteado 13 ½ x 14 ½. Circulou durante 8 anos entre 10 de Julho de 1961 e 30 de Setembro de 1971. No entanto, como antes se referiu, S. Vicente de Paulo faleceu em 1660 e esta série deveria ter sido lançada em 1960, aÍ sim, 300 anos após a sua morte. Porém, mais vale tarde do que nunca, sendo esta homenagem perfeitamente merecida.
Não foi apenas em Portugal que foram lançadas emissões comemorativas do tricentenário da sua morte, também em França, seu paÍs natal, Costa Rica, Nicarágua e Vaticano foram emitidas séries referentes à efeméride. No entanto, São Vicente de Paulo não é apenas referenciado directamete em séries mundiais, visto que a implantação das suas obras e respectivas datas e pessoas envolvidas também são tema em paÍses como o Brasil, Chile, Colômbia, Espanha, Mónaco, Panamá e Venezuela.
in Cábula Filatélica nº 15
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