CORREIOS EM COIMBRA NOS ANOS TRINTA

Algumas informações para o público insertas no 
Anuário de Coimbra, Beiras e Centro de Portugal, 1930 - 1931

João Rui Pita


(Imagens não disponÍveis)


No Anuário de Coimbra, Beiras e Centro de Portugal para os anos de 1930 - 1931, publicado em Coimbra sob a direcção de Adriano do Nascimento, encontramos uma informação pormenorizada sobre os serviços postais para a cidade de Coimbra e para outras localidades do centro de Portugal (pp. 164-166 e pp. 534-544). 
Essa informação é constituÍda por um conjunto de indicações da maior utilidade que nos mostra os serviços prestados pelos correios portugueses nos anos trinta na cidade de Coimbra. Sob a designação genérica de "Correios, Telégrafos e Telefones", são fornecidos ao leitor dados sobre os serviços administrativos daquelas instituições, locais de atendimento, localização geográfica e funcionários. Assim, refere-se: "Secretaria, distribuição e recepção de correspondência, encomendas postais, vales e telegramas, etc. - Av. da Madalena. Telegramas - EdifÍcio da Cãmara Municipal. Telefones - Rua Olímpio Nicolau Rui Fernandes (edifício das obras públicas)". Mais se acrescenta que "o edifício da estação dos Correios, Telegráfos e Telefones foi devorado por um incêndio no dia 1 de Janeiro de 1926, o que deu lugar a que os serviços se dispersassem". De acordo com o mesmo Anuário, o Inspector Chefe dos serviços do Distrito era o Sr. Francisco Alves Ribeiro, cuja residência particular era em Santo António dos Olivais, o Sub-Inspector, chefe, era o Sr. Ruben Dias da Conceição, residente no Pátio da Inquisição, o Sub-inspector era o Sr. Inocêncio Gouveia, residente na então Rua Sá da Bandeira. A obra indica-nos ainda uma enorme listagem de outros funcionários dos serviços, nomeadamente, o fiel, oficiais principais, oficiais de 1ª classe, oficiais de 2ª classe, ajudantes, adventÍcios, manipulador auxiliar. Refere, ainda, o conjunto dos funcionários de secretaria, funcionários da Secção Electrotécnica e da Estação Telefónica.
é dado particular destaque à designada "Estação do Bairro Alto", sita na rua do Cotovelo. Era chefe da estação a Srª D. Zélia Martins de Carvalho Peres e Sá.
Para se ter uma ideia da circulação postal deve dizer-se que o anuário inscreve a localização dos designados "receptáculos postais" e dos horários da tiragem da correspondência. Assim, indicam-se para a cidade de Coimbra postos de recepção de correspondência situados no EdifÍcio da Câmara Municipal, na Praça 8 de Março, na Rua Ferreira Borges, no Largo Miguel Bombarda, na Rua da Sofia, no Largo das Ameias, na Estação Velha, na Praça do Comércio, no Largo da Sé Velha, na rua Ferrer, no Largo de São João, no Largo do Castelo, na rua Trindade, nos Arcos do Jardim, na Estrada da Beira, na Cumeada, no Bairro de Santana, na Praça da República, em Montes Claros, em Celas e em Santo António dos Olivais. A tiragem estava marcada, diariamente, para as 8h 45mn, 16h 45mn e 20h 45mn.
A mesma obra inscreve com pormenor as taxas a pagar pelos utentes dos serviços de correios, de telégrafos e de telefones. No que diz respeito ao transporte postal, pode, por exemplo, salientar-se que em Portugal uma carta até 20 gramas pagava uma taxa de $40. Para o estrangeiro, excepto Espanha, a taxa a pagar por uma carta até 20 gramas era de 1$60. O designado "prémio de registo" era, para as mesmas condições, respectivamente, $50 e $80. O referido anuário refere ainda com pormenor as taxas a pagar por transferências de dinheiro, cobranças, assinaturas de jornais, encomendas postais e apartados.
Como curiosidade cite-se o que o Anuário indica em letra diferente a encerrar as informações e em destaque, o seguinte:

N.B. - As encomendas não devem ter em qualquer dos lados ou faces mais do que 0.60 nem todo o volume mais do que 25 decim. cúbicos, nem podem conter moeda metálica corrente ou antiga; jóias, ouro ou prata (excepto se for com valor declarado), cartas que tenham menos de seis meses da data, papéis manuscritos, bilhetes ou cautelas da lotaria, estampilhas fiscais, fórmulas de franquia não utilizadas, letras seladas em branco, papel selado não escrito e em geral todos os tÍtulos de valor pagável ao portador, salvo se for em valor declarado; cartas de jogar não seladas, animais vivos, despojos de animais para análises bacteriológicas, cabeças de cães, gatos, sangue, vÍsceras, e todos os conteúdos susceptíveis de decomposição.
Exceptuam-se as abelhas e as sanguessugas. 


Figura 1 : Planta da cidade de Coimbra de 1930 e localização de alguns "receptáculos postais" no centro da cidade.
( Planta extraÍda do Anuário da cidade de Coimbra, Beiras e Centro de Portugal, 1930-1931 ( Direcção de Adriano do Nascimento)).

in Cábula Filatélica nº 15


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Última atualização: 10/02/2013