António Feliciano de Castilho

 selo

António Feliciano de Castilho nasceu em Lisboa a 28 de Janeiro de 1800. Era filho de um médico e professor da Universidade de Coimbra. Por volta dos seis anos perdeu a visão quase por inteiro em consequência do sarampo, o que não o impediu de adquirir uma vasta formação literária. Acompanhava as lições dos irmãos e conseguia obter tão bons resultados como eles. Tal facto terá levado a que prosseguisse os estudos contra todas as expectativas. esse sucesso, ultrapassando a limitação fÍsica, contribuiu para criar à sua volta uma áurea de génio.
Em 1822 concluiu o curso de Direito na Universidade de Coimbra. Durante vários anos residiu em Castanheira do Vouga (Águeda), em casa de um irmão padre. Durante esses anos dedicou-se ao estudo e tradução de escritores latinos, ao mesmo tempo que redigia as suas composições poéticas. A sua formação, tal como a de Garrett, é marcadamente arcádica. Mais tarde, em Lisboa, tomou contacto com o romantismo, ao qual formalmente adere, embora continue toda a vida a manifestar uma formação marcadamente académica. Versejador hábil, mas poeta pouco inspirado, muitos dos seus textos são obras de circunstância: escreveu poemas em memória da rainha D. Maria I, a homenagear a coroação de D. João VI, e muitos outros ao sabor das circunstâncias polÍticas.
Casou em 1834 com Maria Isabel Baena Coimbra Portugal, tendo enviuvado em 1837. Em 1840 casou em segundas núpcias com uma senhora natural da Madeira, Ana Carlota Xavier Vidal, de quem teve oito filhos.
A partir de 1842 passou a dirigir a "Revista Universal Lisbonense", o que lhe permitiu exercer influência sobre o meio cultural português. Esse predomÍnio tornou-se evidente em 1844, quando os jovens poetas da segunda geração romântica, ligados à revista "O Trovador", o homenagearam.
No final da década de quarenta residiu durante algum tempo nos Açores, onde escreveu vários artigos no "Agricultor Micaelense", defendendo um estilo de vida mais ligado à natureza. Essa ideia, de algum modo relacionada com a "aurea mediocritas" dos clássicos latinos e renascentistas, está sintetizada na obra A Felicidade pela Agricultura (1849). Por essa altura leccionou no "Colégio do Pórtico", em Ponta Delgada, onde teve como aluno Antero de Quental, que o viria a atacar mais tarde, no decorrer da "Questão Coimbrã".
De regresso a Lisboa, em 1850, procurou estruturar as suas ideias pedagógicas, publicando o seu Método de Leitura Repentina, que ele próprio procurou promover com uma viagem que fez ao Brasil, em 1855. Esse interesse pela pedagogia valeu-lhe a nomeação como Comissário-Geral da Instrução Primária, em 1853. No entanto, o método por ele proposto encontrou fortes resistências, que ele procurou combater com textos polémicos, sem grande sucesso.
Castilho, aos poucos, acabou por transformar-se numa espécie de protector dos jovens literatos. Muitos deles pediam-lhe textos de apresentação que facilitassem a adesão do público às suas obras. O posfácio que escreveu para o Poema da Mocidade, de Pinheiro Chagas, no qual atacava os jovens estudantes de Coimbra (Antero de Quental e Teófilo Braga, entre outros), esteve na origem da famosa "Questão Coimbrã" (1865-66), também conhecida pela polémica do "Bom Senso e Bom Gosto". Como é sabido, Antero reagiu violentamente ao texto de Castilho e grande parte dos escritores da época alinharam por um ou outro lado. A polémica arrastou-se durante algum tempo e deu origem, inclusivamente, a um duelo entre Antero e Ramalho Ortigão.
Além de textos próprios, maioritariamente em verso, traduziu para o português numerosas obras de grandes autores, clássicos e modernos (OvÍdio, Anacreonte, Goethe, Shakespeare). Apesar do prestÍgio que alcançou no seu tempo, é inegavelmente um autor menor, hoje praticamente esquecido.
Em 1870, foi agraciado pelo rei D. LuÍs com o tÍtulo de visconde. Morreu em 18 de Junho de 1875.

BIBLIOGRAFIA
Cartas de Eco a Narciso, 1821
A Primavera, 1822
Amor e Melancolia ou a NovÍssima HeloÍsa, 1828
A Noite do Castelo, 1836
Os Ciúmes do Bardo, 1836
Quadros Históricos de Portugal, 1838
Escavações Poéticas, 1844
Mil e Um Mistérios, 1845
Crónica Certa e Muito Verdadeira de Maria da Fonte, 1846
A Felicidade pela Agricultura, 1849
Tratado de Versificação Portuguesa, 1851
Felicidade pela Instrução, 1854
A Chave do Enigma, 1861
O Outono, 1863


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Última atualização: 06/08/2015