Almeida Garrett

 

Escritor do séc. XIX, João Baptista da Silva Leitão, mais tarde, Almeida Garrett, nasceu no Porto em 1799, e morreu em Lisboa em 1854.

Formado em Direito pela Universidade de Coimbra, seria, contudo, à literatura e polÍtica que dedicaria a sua vida. Na literatura foi, entre nós, o iniciador do Romantismo, movimento artÍstico e literário já dominante na Europa, e na polÍtica foi adepto entusiasta do Liberalismo que, no séc. XIX, irá operar profundas transformações na sociedade portuguesa.



Almeida Garrett aliou sempre o combate polÍtico, a realidade social, ao combate literário, lançando as bases do romance moderno português, onde sobressaem as formas populares de expressão, a criação dos diálogos, a poesia popular, a exaltação dos valores de liberdade e a denúncia dos problemas sociais. Deixou-nos obras primas na prosa, poesia, e teatro, o que o torna um dos escritores mais completos do séc. XIX.

Nos discursos polÍticos, lançou temas sobre a liberdade religiosa e a liberdade de imprensa, revelando um homem extraordinariamente atento às questões que se iam colocando na sociedade do séc. XIX.


Selo comemorativo do «Centenário da Morte de Almeida Garrett, 1957» 

Como corrente literária o Romantismo tem subjacente um acesso mais alargado das camadas sociais à informação, o que, no séc. XIX, é visÍvel pelo aumento de publicações, de jornais e folhetos, e consequente surto cultural, onde Garrett divulga as suas análises sobre a reforma literária, polÍtica e social.

De salientar que o desenvolvimento da imprensa também contou, desde logo, com o apoio do serviço de Correio, através da regulamentação das taxas dos jornais e impressos, que foram objecto de sucessivas diminuições de porte a pagar, até à total isenção de taxa dos jornais e publicações periódicas literárias, em 1848.

O selo, surgido em 1853, para pagar um serviço de Correio, tornou-se um instrumento importante de divulgação de imagens. Através do selo os CTT têm, entre outros aspectos, homenageado vultos importantes da cultura portuguesa.

é no âmbito deste objectivo que surge a primeira emissão de selos de Garrett, sugerida pelo Professor Oliveira Marques em 1953, tendo o Mestre Martins Barata, Consultor ArtÍstico dos CTT, pedido a colaboração do escultor Barata Feyo, autor da estátua do escritor na Av. da Liberdade, para elaborar a maquette do selo. A escolha da fotografia dessa estátua, justifica-a Martins Barata (autor do desenho dos selos), por ser «uma interpretação muito feliz do Escritor, e onde transparece toda a sua elegância, o seu romantismo e a claridade do seu espÍrito».


Selo comemorativo dos «200 Anos do Nascimento de Almeida Garrett, 1999» 

Para que esta emissão se revestisse de maior dignidade, foi decidido que a sua impressão se faria pelo processo de talhe-doce (processo de gravação do desenho, a buril, sobre chapa de aço).

A impressão dos selos em talhe-doce, até finais dos anos 60, era feita no estrangeiro, Londres ou SuÍça, embora, neste caso, se tivesse optado pela Imprensa Nacional de Viena, cujo trabalho não foi considerado satisfatório, acabando por provocar alguns atrasos.

Um longo e moroso processo burocrático acompanhava, nesses anos, todas as emissões de selos, cuja aprovação passava, além dos CTT, pelo Ministério da Tutela, Junta Nacional de Educação e, neste caso, a Comissão Nacional do Centenário de Almeida Garrett.

Apesar de todos os esforços do Mestre Martins Barata para diminuir o atraso provocado pelo processo burocrático, a ponto de solicitar, sem êxito, a isenção da consulta e parecer de alguns orgãos, e a má qualidade das provas apresentadas pela casa impressora de Viena, não foi possÍvel fazer sair a emissão em 1954, Centenário da Morte de Garrett, o que só viria a acontecer em 1957.

No ano em que se comemoram os 200 Anos do Nascimento de Garrett, a Filatelia dos CIT, prosseguindo objectivos de divulgação da cultura portuguesa, dedica um novo selo, da autoria de José LuÍs Tinoco, ao escritor e polÍtico que, no séc. XIX, escreveu: «Ergo tardia a voz, mas ergo-a livre».



In Códice - Revista da Fundação Portuguesa de Comunicações, nº 3, ano II, 1999

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Os selos da emissão "Almeida Garrett", foram emitidos em Março de 1957. O desenho e execução a talhe doce, foram feitos por Jaime Martins Barata, inspirados na escultura de Almeida Garrett, obra do notável escultor Salvador Barata Feyo (1899-1990), que se encontra junto do edifício da Câmara do Porto.

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Última atualização: 06/02/2016