Associação Académica de Coimbra

 

A Associação Académica de Coimbra completou em 1997, 110 anos de existência!

 

Um século de vida de qualquer instituição de utilidade pública, só por si, justificaria o destaque. Porém, neste caso específico, porque se trata da maior e mais antiga associação estudantil portuguesa que, através dos tempos, congregou e tem representado os escolares da Universidade de Coimbra, no País e no estrangeiro, ultrapassando mesmo os limites dos interesses e da representatividade de todos os que, de algum modo, em qualquer tempo, se tenham sentido com ela identificados, terá, forçosamente, que ser sobrelevado. Na realidade a Associação Académica de Coimbra tem sido uma escola prática na formação de dirigentes e de espíritos fortes e criativos, tornando-se num autêntico alfobre para muitas instituições e para o próprio País.

CC das Comemorações dos 110 Anos da AAC

Antes de mais, deve salientar-se que, devido ao seu constante relacionamento, não se poderá desligar, em circunstância alguma, Associação Académica da Academia de Coimbra. As histórias das duas estão tão ligadas entre si, que não é possível analisar qualquer facto referente a uma, sem falar de uma e de outra.

A Associação Académica de Coimbra foi fundada por alvará de 3 de Novembro 1887 e resultou de uma série de transformações de outras instituições académicas que se foram operando a partir do segundo quartel do século XIX, se bem que já anteriormente tivesse havido manifestações que comprovam o interesse da Academia de Coimbra pelo associativismo e pela cultura.
Será, portanto, muito discutível apontar, com segurança, uma fonte de origem e um momento adequado desse começo.

Tem sido apresentado como início da fase de preanunciação o aparecimento da Academia Dramática com estatutos impressos em 1837. Estabelecida nos baixos do antigo Colégio das Artes, começou, desde muito cedo, a ter graves problemas infernos que vieram a determinar uma cisão entre os sócios. O ramo dissidente, mais poderoso e influente, fundou, em 1838, a Nova Academia Dramática que ficou instalada no edifício do antigo Colégio de São Paulo, o Apóstolo, localizado onde, muito mais tarde, viria a ser construído o edifício da actual Biblioteca Geral da Universidade.

A velha construção colegial estava bastante degradada, mas serviu para que os novos agremiados (estudantes, alguns professores e outros licenciados) ali se estabelecessem e construíssem no pátio do edifício, o famoso Teatro Académico, inaugurado em 1839. Esta sala de espectáculos teve enorme influência na vida universitária coimbrã da época.

 

Com o desenrolar do tempo a Academia Dramática, alojada, como se disse, nos baixos do Colégio das Artes, foi-se extinguindo aos poucos, enquanto a Nova Academia Dramática com estatutos aprovados em 1840, ia alargando a sua área de influência. Por estes estatutos verifica-se que a sua actividade se ordenava segundo três ramos denominados de conservatórios ou institutos: dramático, de música e de pintura.

Em 17 de Abril de 1849 os estatutos são reformulados e como a colectividade instalada no antigo Colégio das Artes já tinha deixado de existir, a Nova Academia Dramática adoptou o nome inicial — Academia Dramática de Coimbra. Nesta altura os três institutos foram reunidos num único com autonomia quase total, passando a ser completa a partir de 1851, momento em que os estudantes deixaram de fazer parte da instituição, por haver desacordo quanto ao cumprimento das finalidades estatutárias.

Após a separação, os estudantes chamaram a si a denominação de Academia Dramática e os Professores e os outros associados optaram pelo nome de Instituto, ainda hoje existente na Rua da Ilha e instalado em edifício próprio, depois de a sua sede ter passado por outros edifícios.
Estava criado o Instituto de Coimbra que, como se verifica, resulta também de uma dissidência académica. Assim, a Academia Dramática e o Instituto seguiriam percursos diferenciados, continuando a primeira a ter uma vida agitada, agora mais enfraquecida, e com a sua actividade concentrada no Teatro Académico. O Instituto viria a ser instalado no antigo Colégio de São Paulo, o Eremita, na Rua Larga onde, mais tarde, se fixou, por largo período, a sede da Associação Académica.

No ano de 1861 fundou-se o Clube Académico de Coimbra, também alojado em dependências que lhe foram concedidas no Colégio Real de São Paulo, o Apóstolo. Teve uma vida curta, pois daí a cinco anos era inserido na Academia Dramática à qual imprimiu novo vigor.

Em 1887 há nova reforma de estatutos, passando a Academia Dramática a chamar-se Associação Académica de Coimbra, como diz o alvará de 3 de Novembro desse ano.
Pelos sete primeiros artigos destes estatutos pode observar-se a preocupação dos estudantes em dar à sua Associação um campo de actividades mais amplo e diversificado, abrangendo não só toda a Academia de Coimbra (universitária e liceal), como também as de Lisboa e Porto, e ainda professores, diplomados, sócios e dirigentes de academias, institutos e conservatórios.
Mas esta preocupação de reunir em volta da A.A.C. os outros principais centros culturais do País, não passou das intenções, pois, na prática, isso nunca se verificou.

Foi primeiro presidente da Direcção da A.A.C., denominada nesses estatutos por Conselho da Academia de Coimbra, o estudante de Direito, António Luís Gomes, que se manteve nesse lugar até à sua formatura em 1890 e que viria a ser Reitor da Universidade de Coimbra no período de 1921/24. É de notar que, até hoje, só uma única vez se tornou a verificar uma situação semelhante — a Reitoria ser ocupada por um antigo presidente da Academia, como foi o caso do actual Reitor-Honorário, Prof. Doutor Ferrer Correia.

Ainda na presidência de António Luís Gomes, a sede da A.A.C. foi transferida para o edifício do antigo Colégio da Trindade. De facto, foi em 1889 que os estudantes foram obrigados a abandonar as instalações do Teatro Académico, por haver necessidade de demolir o edifício do antigo Colégio de São Paulo, o Apóstolo. Este acontecimento foi uma verdadeira calamidade para a Academia Coimbrã. A demolição deste edifício trouxe um quase total apagamento das actividades culturais estudantis, pois as novas instalações do Colégio da Trindade não permitiam a realização de espectáculos, que, na altura, seriam as suas principais receitas. Por outro lado, nem tudo foi negativo, pois, com esta mudança, verificou-se uma maior expansão da cultura física. Na realidade, divulgavam-se as actividades físicas e desportivas, praticando-se então: ginástica atlética e acrobática, esgrima, jogo do pau, luta greco-romana, além de se fazerem longos passeios a pé, andar-se a cavalo e de velocípede.

A presença dos estudantes no velho Colégio da Trindade não vai ser muito prolongada, visto que, em 1892, após conflitos com as autoridades, viriam a ser encerradas as instalações e suspensas todas as actividades, embora mais tarde, em 1901, a A.A.C. alugasse novamente esse colégio para ali reconstruir o seu ginásio.

Após a imposição de 1892, houve três anos de paralização, no fim dos quais um reduzido grupo de estudantes fundou o Clube Académico Irmãos Unidos para, logo a seguir, em Novembro de 1896, o clube retomar o nome primitivo, tradicional e definitivo — Associação Académica de Coimbra. Todavia, devemos salientar que, em 1974, por razões relacionadas com o período revolucionário iniciado em Abril desse ano, a Secção de Futebol, a mais importante da Associação, foi obrigada a sair das instalações académicas, a promulgar estatutos próprios e a ter que optar por um dos nomes que a Academia já, em outras circunstancias adoptara — Clube Académico de Coimbra. Só dez anos mais tarde volta a ser inserida na Associação Académica de Coimbra, mas como organismo desportivo autónomo. Referimo-nos à Associação Académica de Coimbra — O.A.F., instalada aos Arcos do Jardim e que tem o seu pavilhão gimnodesportivo na Rua Infanta D. Maria, na Solum.

Os anos que se seguiram à desocupação do Teatro Académico foram extremamente difíceis para a A.A.C., principalmente os sete anos em que, desde 1896, andou por casas de aluguer, ora na Rua Larga ora na Rua do Cosme. A última sede deste período esteve instalada no edifício que se localizava na esquina da Rua do Norte com a Rua do Cosme. Foi um período cheio de dificuldades no qual, sem a dedicação de muitos, a Associação não teria sobrevivido.

Em 1913 o Senado Universitário, por iniciativa do Reitor, Prof. Doutor Guilherme Moreira, concedeu à A.A.C. O rés-do-chão do antigo Colégio de São Paulo, o Eremita, também conhecido por Colégio dos Paulistas, na Rua Larga, vindo mais tarde a ser denominado pelos académicos por Bastilha. No mesmo edifício estava já instalado, no 1.° andar e na mansarda, o Instituto oriundo, como já se disse, da mesma fonte — a Academia Dramática, voltando assim, a Associação Académica e o Instituto, conhecido vulgarmente na gíria académica por Clube dos Lentes, a estar juntos, mas autónomos.

Com a fixação da sede no grande edifício da Rua Larga, a Associação Académica retomava o equilíbrio que havia perdido uns anos antes. As instalações, porém, eram muito limitadas para albergar toda a actividade académica que, naturalmente, incluía também a dos organismos culturais autónomos então existentes: Orfeon e Tuna.

Instalações acanhadas e vizinhança de relacionamento pouco afectuoso contribuíram para que a Academia, cansada de esperar pela solução do problema das suas instalações definitivas, prometidas desde a demolição do Teatro Académico e sempre adiadas, resolvesse ocupar pela força o restante do edifício que não estava na sua posse. Este acontecimento, conhecido pelos estudantes como Tomada da Bastilha, foi concretizado na noite de 24 para 25 de Novembro de 1920, pelo que o último destes dias passou a ser considerado o Dia da Academia de Coimbra.

A partir de então a A.A.C. viveu um dos períodos mais brilhantes do seu historial. As novas instalações da sede, completadas com a cedência do terreno pela Câmara Municipal e a consequente construção do Campo de Jogos de Santa Cruz, transformaram os interesses dos universitários e a sua própria vida associativa.

Contudo, a cedência de uma parte do edifício de São Paulo, o Eremita, e, posteriormente, a ocupação do restante, sancionada pelas autoridades universitárias, não solucionou totalmente o problema da sede, tanto mais que se agravava, dia a dia, com o surgimento de novas actividades no seio da Academia. Aliás, as soluções nunca foram encaradas com carácter definitivo. Foram sempre tomadas como decisões provisórias, aguardando oportunidade.

Com as demolições da Velha Alta coimbrã dentro do plano da Cidade Universitária, a "Bastilha", foi também atingida, razão porque, no verão de 1949, a sede da A.A.C. foi transferida para o Palácio dos Grilos com nova promessa de se construir em breve um edifício com capacidade de receber todas as instituições académicas. Mas as constantes promessas e adiamentos criaram no espírito dos estudantes conimbricenses a convicção de que tudo não passava de paliativos.

Assim, no início da segunda metade do século XX, verificava-se uma situação muito semelhante à que tinha existido quando a Academia levou por diante a "Tomada da Bastilha", em 1920. Por esse motivo não causou grande surpresa que, em 4 de Abril de 1954, tivesse havido uma segunda tomada do Instituto de Coimbra, agora localizado já na Rua da Ilha.
Desta vez, porém, a ocupação não passou daquela noite, devido à garantia dada pelo Reitor, Prof. Doutor Maximino Correia, de fazer todos os esforços no sentido de se apressar a conclusão dos estudos sobre o novo edifício, compromisso que fez gorar as intenções dos estudantes.

Alguns meses depois, era apresentado à Direcção da A.A.C. o projecto que, após a aprovação por esta, velo a proporcionar a construção das actuais instalações académicas na Praça da República, entregues em 1963. Assim terminava uma luta que se arrastava desde 1889 e que, embora muitas vezes desse a impressão de estar próxima do fim, noutras parecia não mais acabar.

Em 1961, já haviam sido inauguradas, em Santa Clara, as instalações desportivas da Cidade Universitária, que constam de um pavilhão polivalente e de outros, além de vários campos descobertos destinados às diversas modalidades praticadas pela Academia.

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As Secções da A.A.C., em número elevado, dependem muito do interesse que pudesse haver em cada ano lectivo. Por isso, umas mais do que outras, foram quase sempre de actividade irregular, sujeitas ao fluxo e refluxo das camadas escolares que passam pela Universidade de Coimbra.

A actividade das Secções Culturais e Desportivas da A.A.C., tem uma vida intensa.

Para remate desta resenha ainda devemos destacar, acima de tudo, a importância do papel que esta instituição académica tem tido na vida da cidade de Coimbra e, em muitos momentos, na história do nosso país, pois, como disse alguém — "tudo o que se passa na Assembleia Magna da Academia tem repercussões no País", ao que acrescentaremos: nada se passa neste país que não tenha ressonância no meio académico coimbrão.      

 

 

 

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Última atualização: 07/09/2016